Por Beatris Hoffmann

Nos últimos anos, Hollywood tem dado sinal para os americanos de o quanto a crise econômica tem afetado alguns setores da indústria cinematográfica e o show business. Em resposta, os americanos pediram a Hollywood para começarem a produzir filmes que valesse a pena ser visto em consequência dos valores exorbitantes atuais cobrados para se ter acesso a uma sala e cine nos Estados Unidos – média de US$18 em Nova York, Los Angeles e grandes metrópoles, e mais de US$10 no resto do país.

Nos últimos quatro anos (2013-2017), as vendas de ingressos para acesso a salas de cine vêm diminuindo gradativamente. Por que isso está acontecendo? Os estúdios de cinema vão sair do mercado e limitar ainda mais a escolha do consumidor? Este artigo tentará responder a essas questões examinando os desafios e as oportunidades que enfrentam tanto a indústria do entretenimento quanto os consumidores.

Por que as Vendas de Ingressos Caíram?

Com a produção limitada de filmes, muitos americanos estão preferindo assistir a filmes em casa, em seus home theaters potentes, ao invés de ir ao cinema. A queda de preço dos sistemas de som para TV tem produzido uma geração de séries e longas com recursos suficientes para se criar um cinema dentro de casa. Ainda mais quando somamos a conveniência de não ter que tolerar choro de crianças à capacidade de pausar o filme a hora que quiser para pegar uma pipoca ou algo para beber. Estes são alguns dos motivos que tem feito os cinemas dos EUA perderem público.

Desde o inicio dos anos 2000, a indústria cinematográfica tem aberto portas para uma forma burocrática de lançamento. Primeiramente, o filme é lançado no cinema, depois de aproximadamente seis meses, vai para DVD, depois segue para a TC a cabo e depois para a televisão aberta – na qual todos podem assistir gratuitamente.

Entretanto como o preço do DVD é mais barato do que levar toda a família – de em média quatro pessoas – ao cinema, muitos consumidores esperam o filme sair em DVD para assistir. Hollywood atualmente está sendo pressionada pelos cinemas por causa dessa de mudança de comportamento do consumidor.

Por isso uma boa abertura de final de semana e essencial para garantir a viabilidade do filme. Estúdios e produtoras investem pesado em marketing chegando gastar até 30 milhões de dólares em promoção de lançamento. A pergunta que muitos querem saber é por que a indústria de Hollywood não muda a forma burocrática e cheia de etapas de se lançar um filme ou as eliminas em definitivo.

Nessa busca por novidades para ajudar a indústria cinematográfica, já está em fase de teste uma nova forma de lançamento que pode dar certo. “Bubble”, dirigido por Steven Soderbergh e financiado por Tech Entrepreneur e Dallas Maverick‘s Proprietário Mark Cuban, foi um dos seis filmes que entraram na lista para testar um novo sistema de lançamento. Bubble por exemplo, pode ser visto no cinema, na TV a cabo, e quatro dias mais tarde, já poderia ser encontrado em DVD com exclusivas cenas adicionais.

Os Cinemas Estão Desaparecendo?

Se você é uma pessoa econômica, então a diminuição no preço dos ingressos pode ser interessante pra você. Entretanto, norte-americanos não querem nem saber desse assunto. O presente que Hollywood dá ao cidadão comum dos EUA é a imagem de filmes padrões: carros caros, mansões e o dia a dia da vida das celebridades. Enquanto isso, a maioria dos norte-americanos vivem no sufoco e com seus cartões de crédito já no limite. Hollywood deveria se importar não apenas com seu lucro e sim também com o seu público, pois um filme ou programa de TV sem audiência geralmente é cancelado.

Isso acontece com certa frequência mais com programas de televisão. Dependendo da audiência, o mesmo pode ser cancelado em apenas poucas semanas após o lançamento ou após a primeira temporada. Dando um exemplo, Arrested Development que foi uma das séries mais engraçadas na TV dos EUA, e com excelentes críticas, não seguiu adiante. A Fox, por sua vez, “queimou” os episódios restantes ou vendeu em diferentes períodos.

Hollywood não acredita que os consumidores da TV paga aumentem em nível considerável, entretanto 70% dos norte-americanos tem TV a Cabo e existe uma tendência desse aumento em consequência do surgimento de diferentes redes e plataformas. A pergunta aqui na verdade não é se os norte-americanos estão dispostos a pagar e sim quanto eles terão que pagar.

De acordo com Andy Bowers, de Slate, um exemplo é válido: The West Wing tem aproximadamente oito milhões de telespectadores semanais e o custo por episódio é de seis milhões. Em outras palavras, se cada pessoa que assistir ao show pagar $ 1 dólar, o seriado vai ter mais dinheiro do que gastou.

Obviamente não serão os oito milhões de telespectadores que estarão dispostos a  pagar. Porém um terço deles pode pagar e isto já seria quase três milhões de pessoas – e se cada um desses três milhões de telespectadores pagarem $3 dólares cada um (ou $4 dólares dependendo das companhias de TV a cabo ou através do “buck for Steve Jobs”). Essas séries também poderiam ser assistidas pelo sistema pay per view e/ou ser baixadas via download na internet entre outras formas. Agora imagine se todos os programas de TV entrar nessa onda. Exemplos como o “Arrested Development” não teria como seguir entre os 20 melhores no ranking para ficar no ar. Em contrapartida, os telespectadores teriam mais opções de programação.

O Avanço Tecnológico vai Diminuir as Opções dos Consumidores?

Dá para imaginar como seria se não tivéssemos dispositivos para gravar e reproduzir programas? Nós ainda teríamos os locutores de rádio para nos oferecer algum entretenimento. Entretanto, a TV digital migrou e agora é possível para todos os telespectadores, de certa forma, ter o pay-per-view mesmo não tendo TV a cabo ou satélite. Isso fez com que os gigantes como Apple e Samsung abrissem suas empresas para um novo mundo de escolhas.

É visível que os novos filmes que são anunciados e promovidos de forma pesada não passam de remakes ou séries de TV que vieram de outras décadas ou de gibis, livros, vídeo games, etc. Pense nos filmes lançados nos últimos anos. Por exemplo, “A Bela e a Fera”, foi um remake da produção dos anos 90 e que simplesmente conta a mesma história do original. A única diferença é que as crianças e jovens que assistiram a esse longa-metragem no passado, hoje em dia, levam seus filhos para assistir.

Hollywood está saturada e sem criatividade para produzir filmes originais, por isso precisa “reciclar” ideias anteriores e produzir mais do mesmo. Mas isso não é feito de propósito. Com o lançamento em várias plataformas, Hollywood economiza $30 milhões em propaganda, podendo dar o sinal verde para outros filmes serem produzidos. A questão é se os cinemas vão aceitar perder sua audiência para a tecnologia.

A capital mundial do cinema precisa mudar ou corre um sério risco de ficar fora do mercado. A tecnologia está avançando tão rápido e oferecendo tantas opções para os telespectadores que, ultimamente, o produto é entregue na hora. Essas inovações também são vantajosas para Hollywood fazendo com que os filmes produzidos tenham alta qualidade. Essas mudanças também podem chegar à programação da TV, fazendo com que Hollywood lidere também o vídeo digital, mas para isso acontecer é necessário abraçar as novas ofertas tecnológicas ao invés de lutar contra elas.

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