Por Rosana Braga

Se você pergunta para algumas pessoas (que não lhe conheçam muito bem) como elas definiriam o seu jeito de ser, baseadas na sua aparência, será que a descrição delas seria coerente com o que você realmente é? Ou seja, no seu trabalho, na rua, nos lugares aonde você costuma ir para se divertir e conhecer pessoas (e até possíveis futuros parceiros), as pessoas conseguem ter uma ideia verdadeira de como você é: seu jeito, temperamento, personalidade, etc.?

Creio que tal reflexão seja da maior importância, pois quanto mais diferente for a impressão que você passa comparada com o que você tem dentro de si (seus pensamentos, desejos, crenças e valores), mais difícil se tornarão as suas conquistas.

Obviamente, não estou falando das pessoas cujos objetivos estão baseados em mentiras, trapaças ou sabotagens. Estou falando das pessoas sinceras, transparentes e que buscam seus verdadeiros caminhos. Sendo assim, uma vez que o que você aparenta ser é diferente do que você realmente é, surge um conflito interno e algumas dúvidas cruéis.

Provavelmente, uma das questões mais comuns é a seguinte: por que será que as pessoas me tratam como se eu fosse capaz de arcar com tantas responsabilidades? Eu também tenho sensibilidade e preciso de ajuda, de apoio, de colo, de compreensão. E a resposta seria: porque você, certamente, passa a impressão de ser alguém tão forte que nunca precisa de ajuda.

Outra questão: por que será que os homens me tratam como se eu não quisesse nada sério, como se eu fosse tão independente que não precisasse de carinho, companheirismo, romantismo ou relacionamentos estáveis? Eu quero encontrar alguém que me trate como uma princesa. E a resposta seria: porque você, provavelmente, passa a impressão de que estar ou não com alguém não faz diferença e que você é autosuficiente e está muito bem assim.

Resumindo: se o que aparentamos ser não condiz com o que somos é porque criamos máscaras. E máscaras nada mais são do que defesas. Nos defendemos da possibilidade de sofrermos, de nos magoarmos, de nos entregarmos e não sermos correspondidos. Enfim, criamos máscaras toda vez que, consciente ou inconscientemente, sentimo-nos ameaçados por alguém ou algum sentimento com o qual não sabemos bem como lidar. E, nem sempre, conseguimos perceber, facilmente, que as usamos.

 *Rosana Braga vive em São Paulo, é jornalista e autora de vários livros sobre autoajuda e relacionamento amoroso. Colaborou com a Soul Brasil nos dois primeiros anos da revista – www.rosanabraga.com.br 

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