Por Geisa Faria Mourão

Image_Web_Aug 14_DMV_1Depois de quase 20 anos dirigindo em Sampa, claro que seria fácil e rápido dirigir nas terras Californianas. Em São Paulo eu dirigia como motorista de táxi, sempre na correria e conhecendo todas as ruas e atalhos. Costumava “costurar” no zigue zague infernal das marginais e andar no trânsito caótico de uma grande metrópole. Confesso que trabalhando em vendas andava sempre com pressa. Confesso que é muito melhor ler e escrever sobre a dificuldade do processo de re-aprendizagem do que realmente vivenciá-lo.

Nos últimos meses passei por uma experiência que me valeu alguns bons ensinamentos. Acostumada ao “vapt-vupt” do tudo para ontem em São Paulo, e vivendo agora em Los Angeles, coloquei como um dos objetivos do ano obter a “Driver License”, a tão famosa carteira de motorista nos EUA. Para começar o teste escrito, me deparei com 36 perguntas, regras diferentes e um idioma que não dominava. Como boa brasileira, encontrei uma solução criativa para tentar ajudar-me no teste: decorei uns quatro testes diferentes em inglês.

Nas horas de desespero sentimos a importância da solidariedade e foi o que aconteceu quando me emprestaram esses testes. Que decepção, sem ter estudado apropriadamente o manual (Driver Handbook) e apenas tentando decorar as respostas, dei com os “burros n’agua”. Na segunda vez, tentei entender algo na cara e na coragem. Rezei, orei, mentalizei, entrei no meu eixo e também estudei. Deixei algumas questões que não havia entendido e fui entregar a prova.

Image_Web_Aug 14_DMV_2O atendente chamou minha atenção. Havia uma questão sem resposta. Voltei e sem realmente ter entendido a questão, chutei no “gol”. Na contagem e revisão… 1, 2, 3…7 erros. Havia passado! De raspão, pois sete seria o numero limite de erros. Começava então a segunda e pior parte, o teste prático do DMV- Department of Motor Vehicles da Califórnia. Na primeira não passei e claro fiquei chateada. Mas precisava ser honesta comigo mesma, pois não merecia ter passado.

Fui para a segunda tentativa atenta às regras americanas.  Parava totalmente nos “Stops” e depois saía devagar, olhando sobre os ombros nos pontos cegos do veículo. Enfim achei que estava fazendo tudo certo. Quando voltamos para o estacionamento do DMV, a instrutora começou a relacionar meus erros: entrei no estacionamento a 20 milhas por hora e segui guiando o carro pelo meio da pista. Enquanto ela relacionava meus erros, eu prestava atenção. Saindo do carro lá estava meu companheiro. A cara de frustração dele não poderia ser maior que a minha.

Na terceira vez revi todos os vídeos do DMV – existem vários vídeos no Youtube (www.dmv.ca.gov) que te ajuda, e relacionei todas as minhas falhas no dia do teste. O vídeo realmente é positivo e recomendo a todos que enfrentem a mesma situação. Pedi a Deus que me envolvesse com sua força deixando vir à tona toda minha luz e pedi também para que me deparasse com um bom instrutor. Na véspera do exame tentei relembrar os erros cometidos e fiz exercícios de respiração. Confesso que quando tentava uma sintonia com a “turma do alto” eu não conseguia vivenciar o estado de graça que muitas vezes já havia experimentado.

Sonhei que alguém me dizia para pedir a proteção de São Gabriel. E o santo realmente me ajudou! Quem me acompanhou foi um instrutor de uns 60 anos, com um ar meio angelical e calmo. Disse a ele que estava aprendendo inglês e que quando as pessoas falavam mais devagar, eu entendia tudo.

Ele atendeu-me e a única observação no final foi que eu não precisava aguardar tanto para fazer uma conversão à esquerda. Havia cometido quatro erros (o máximo eram 16) sem cometer erros graves que me eliminariam já de início. Nas duas tentativas anteriores havia sido eliminada de cara por erros graves. Uma era não ter segurado o volante mais “apertado” e a outra por usar mais o espelho principal de dentro do carro.

Minha experiência serviu para relembrar que às vezes não adianta se precipitar e tentar ser “arrojado”. O “processo” é mais demorado. Somente consegui meu objetivo após dois meses. Uma teoria interessante que conheço diz: “os louros de ontem não garantem o sucesso de hoje”. Isto nos obriga a desenvolver a humildade de ser um eterno aprendiz em tudo o que pretendemos fazer.

Daqui a alguns anos quando retornarmos para SP, este processo precise ser refeito. Precisarei esquecer grande parte das lições daqui e voltar a dirigir como antes. Esta deve ser a famosa adaptação ao ambiente dos estudos de Darwin. Não somente sobrevive, mas vive melhor, quem melhor se adapta às circunstâncias externas, criando mecanismos internos para que este processo possa ser mais “prazeroso”. Espero não esquecer nunca! Espero que vocês também!

*Geisa Faria Mourão é graduada em Comunicação Social, com Pós-Graduação em Marketing pela Escola Superior de Propaganda & Marketing de São Paulo. Viveu em Los Angeles por alguns anos onde passou a estudar Life Couching para certificação Internacional. Reside atualmente (2017) na Europa –  gfmourao_at_gmail.com

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