A representatividade da mulher negra no cinema ganha mais um importante capítulo. A história da cientista brasileira Joana D’Arc Félix de Souza vai virar filme e a atriz Taís Araújo vai representá-la nas telonas. Filha de empregada doméstica e de um profissional de curtume, Joana D’arc superou muitas dificuldades e preconceito até se tornar PhD em química pela Universidade Harvard, nos EUA, além de uma cientista mundialmente premiada.

O roteiro da produção é de Álvaros Campos, com supervisão de Patrícia Andrade, e a direção é de Alê Braga. A cientista brasileira soma nada menos que 82 prêmios em sua carreira, com destaque para o título de Pesquisadora do Ano no Kurt Politizer de Tecnologia de 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim).

Joana batalhou para conquistar os títulos. Filha de uma empregada doméstica, veio de uma família com poucos recursos, mas foi aprovada em três universidades aos 14 anos – Unicamp, USP e Unesp -, aprendeu a ler sozinha e dormiu com fome muitas noites, porque o dinheiro para estudar longe de casa era pouco. Durante o intercâmbio, ouviu comentários racistas de colegas, mas se mantinha firme aos objetivos.

Joana passou 10 anos na Unicamp, da graduação ao doutorado. As publicações científicas levaram ao convite para cursar o pós-doutorado nos Estados Unidos. Mas, antes de chegar à Harvard, a professora passou pela Universidade Clemson, na Carolina do Sul.

“Foi um ano muito difícil, foram muitas agressões verbais por causa da minha cor. Estava no estado mais racista dos Estados Unidos. Havia frases do tipo ‘negra, volte ao seu país porque você está tomando o espaço de um branco’. Eu tinha medo, mas aguentei firme e forte”, revelou Joana a um jornal brasileiro.

Hoje, aos 55 anos, Joana já registrou 15 patentes nacionais e internacionais, junto aos alunos, a partir de pesquisas envolvendo, principalmente, reaproveitamento de couro e utilização de pele suína em transplantes realizados em seres humanos.

A professora conta que recebeu a proposta de ter a vida contada em um filme depois de conquistar o título “Personalidade 2017” do Prêmio Faz Diferença, uma iniciativa do Jornal O Globo em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O filme sobre a cientista brasileira ainda não tem previsão de estreia.

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