Por Carol Mendes

michelangelo-71282_960_720Em tempos onde a maioria das pessoas parece pensar só em si e no dinheiro que ganham, ainda existem indivíduos que fogem a essa regra. Dedicam parte da sua vida corrida para realizar atividades não remuneradas que tem como objetivo proporcionar o bem social e comunitário. Esses são os voluntários. Essas pessoas são tidas como agentes sociais que realizam um trabalho, em benefício da sociedade, impulsionados pela solidariedade e responsabilidade com o outro, independente de quem seja. A iniciativa do trabalho voluntário pode se manifestar individualmente ou em grupo, afinal áreas para prestar serviço comunitário não faltam.

No Brasil, o voluntariado é encontrado em maior escala na saúde e/ou educação, pois são campos com inúmeras deficiências que são amenizadas pelo trabalho dessas pessoas. Em Pernambuco, por exemplo, alguns hospitais desenvolvem atividades sem fins lucrativos e o Instituto Materno Infantil – IMIP é um deles. Os voluntários da Fundação Alice Figueira, que pertence ao estabelecimento, realizam simples atividades que colaboram e facilitam o trabalho dos médicos no hospital. Organizar filas, orientação para marcar e remarcar consultas, contar histórias para as crianças internadas no hospital para ajudar a aliviar a dor dos pacientes, etc.

Quando o assunto é educação, existem várias formas de ajudar o próximo, entre elas o incentivo à inclusão digital, prática de esportes, reforço escolar, incentivo à leitura, entre outras. Assim como nas tarefas executadas dentro de uma empresa, o trabalho voluntário exige responsabilidades e compromissos. Todo prestador de serviço comunitário tem como dever conhecer a instituição ou comunidade aonde “trabalha”, ser responsável com os compromissos assumidos, comunicar a instituição se for se desligar temporária ou definitivamente e só se comprometer com aquilo que puder fazer.

Mas nem só de deveres se faz a ação social, o voluntário também tem direito a ser respeitado, ter oportunidade de desenvolver sua capacidade, receber apoio na atividade que realiza, estar informado sobre as funções que irá ocupar e, principalmente, ter seu trabalho reconhecido e estimulado.

Quando se fala em ações comunitárias, um grande representante nacional não pode deixar de ser lembrado: Hebert de Souza. Conhecido como Betinho, esse homem liderou a Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, na década de 90. Ele era a materialização da palavra voluntário, trabalhava movido pela paixão pelos movimentos sociais e fazia de sua participação mais do que um impulso solidário, um compromisso. Um de seus lemas era tirado do texto O Beija-flor, muito utilizado por ele para explicar porque realizava trabalhos sem fins lucrativos “não sei se vou conseguir, mas estou fazendo minha parte”.

Assim como Betinho, os voluntários são atenciosos e perceptivos, pois basta olhar ao redor para notar que sempre haverá alguém precisando de ajuda, seja um indivíduo ou uma organização. Ao colaborar para o bem estar de uma pessoa necessitada ou para o sucesso de uma campanha/projeto em que o voluntário acredite – seja ecológico, humanitária ou social, esse voluntário receberá uma remuneração que virá de outra forma, sem ser a financeira. O pagamento pode estar num simples sorriso no rosto de quem é ajudado, no sucesso de uma campanha ou, simplesmente, na gratificante sensação de paz e bem estar interior.

 

*A Soul Brasil magazine gostaria de agradecer a seus “voluntários” colaboradores que se encontram em diversas partes do Brasil e EUA. Muitos deles deram sua valiosa contribuição escrevendo, revisando, traduzindo, fotografando ou distribuindo a revista durante essa história de quinze anos. Agradecemos a todos que ajudaram com o nosso propósito de informar e educar. Obrigado e Gratidão!

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