Quem é rainha nunca perde a majestade, e a surfista Andrea Lopes, 45 anos, é um bom exemplo disso. Pegando onda desde os treze anos de idade, ela esteve na elite do surf brasileiro há anos e hoje atua também no segmento corporativo do esporte. Tetracampeã brasileira profissional (1999, 2000, 2001, 2003 e 2006), foi a primeira brasileira a ingressar no circuito mundial, em 1991. Pioneira no surfe feminino, ela tem mais de 27 anos de experiência no mar.

Por sua trajetória, a surfista tem servido de espelho para muitas meninas que descobriram o esporte mais tarde. Andrea disputou o seu primeiro circuito mundial com 17 anos de idade. Nesse momento, ela percebeu que seu nível técnico estava bom, mas precisava aprender a competir. Os anos seguintes foram prova de seu amadurecimento profissional. A atleta chegou a entrar para as Top 16 e levava uma vida cada vez mais moderada.

Muito exigente, ela entrou em um ritmo rigoroso de treino. A surfista tinha horário para tudo, inclusive para comer. Essa atitude resultou em uma anorexia e uma crise estomacal. “Na época eu tinha 20 anos e minha autocobrança me esmagou”, relembra. Por conta da doença, Andréa chegou a pesar 38 Kg e foi obrigada a ficar um ano e meio longe das competições. “Fiquei louca quando me proibiram de fazer o que eu mais gostava, mas isso fez com que eu resgatasse a minha força”.

A profissional conta que a sua fase de recuperação foi diferente. Ela não estava mais focada em suas responsabilidade no circuito mundial, e sim nos seus valores de vida. “Saía para me divertir, namorava muito e surfava sem pressão”, explica. Isso fez com que Andrea voltasse a seu peso rapidamente. “Cheguei a ficar um pouco acima, mas para recuperar precisei comer sem culpa e curtir a vida”.

Logo quando regressou às águas, foi campeã paulista e tetracampeã brasileira. Centrada, a carioca da gema mostrou que para ser rainha não bastam apenas grandes resultados. “Títulos são importantes, mas é conseqüência de dedicação, superação, humildade e principalmente cuidado com a saúde”, alerta.

“As pessoas não acreditaram quando me viram de volta”, se emociona. Hoje a atleta coloca a sua saúde em primeiro lugar e aprendeu a controlar a autocobrança. “Naquela época eu precisava buscar valores de vida e isso fez com que os resultados viessem naturalmente”. Atualmente, Andréa tenta combinar três características: leveza, agilidade e força. “Tenho o que preciso: agilidade e explosão”, explica.

Hoje com uma média de 60 Kg, Andrea provou que nunca perdeu a sua soberania e uniu o seu amor ao esporte à paixão por ensinar.  A escolinha de surfe “Andrea Lopes Surf e Sup School” é resultado disso e hoje ensina o esporte nas ondas da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, a centenas de crianças que poderão, futuramente, levantar títulos como ela, em especial as meninas, que estão se tornando cada dia mais populares em cima das pranchas.

O surfista iniciante, tanto a criança como o adulto, vai otimizar o aprendizado se procurar uma escola de surfe, um profissional ou um personal que dê aula particular. “Fora a parte técnica, de ficar em pé na prancha, o mar é muito complexo. Cada dia é um dia, a natureza é imprevisível, e uma pessoa que surfe há bastante tempo vai passar conhecimentos do mar, não só a parte técnica. Isso é importante para que o aluno consiga entender melhor o mar, fazer uma leitura melhor e se sentir mais seguro. Para mim, isso é uma das coisas mais importantes”, revelou Andrea a uma revista esportiva do Brasil.

 

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