woman-687560_960_720É notável que tanto em períodos de crise econômica e recessão no Brasil ou mesmo  em tempos de lucro fácil, a quantidade de pessoas procurando estender seus negócios ou estabelecer-se nos Estados Unidos aumenta a cada ano. E são vários tipos de pessoas buscando o mesmo sonho: do micro ao grande empresário, do visionário ou detentor de ideias originais em busca de apoio e possibilidades melhores para se desenvolver, e ainda aqueles que anunciam nas redes sociais a disponibilidade para quaisquer serviços, até os que se acham em condições de vir implantar o mesmo modelo de negócio que possuem ou possuíram no Brasil.

Porém, nada é tão simples quanto possa parecer em nossa ideia inicial. Sem estar preparado para enfrentar um mercado altamente competitivo e aberto, as opções de negócios não aparecem como no Brasil, assim como a inibição e a dificuldade em se comunicar através de uma nova língua limita esses novos investidores a um pequeno nicho de mercado.

São inúmeros os fatores que levam estas pessoas ao insucesso, no entanto, é difícil estabelecer a ordem dos que mais afetam a decisão de recuar e desistir. Não existe um ranking que mostre qual causa é mais afeta e causa a desistência do “sonho americano”, porém isso pouco acrescenta – ou diminui – a pressão para o fracasso e a tristeza de ver que os planos não deram certo.

Aqui estão alguns fatores que influenciam na desistência de um alto número de pessoas que tentam fazer negócios nos Estados Unidos:

Comunicação através de um nova língua

Boa parte dos brasileiros, até os que se dizem preparados, lá do Brasil, após anos de estudos de inglês, ainda é inibida para se comunicar ao sair de seu país de origem e enfrentar a realidade de uma nova língua e cultura. O medo de trocar palavras e evitar erros de fonética implicam pouca oportunidade de fazer negócios em um mercado que entende a diversidade e respeita a etnia. Para superar isso, é importante estudar sempre e não ter medo de errar nunca. O conselho aqui é antigo: estudar e praticar para se aperfeiçoar.

Desconhecimento das leis americanas

É muito comum de se ouvir os brasileiros nos Estados Unidos falarem: “no Brasil é assim..” ou, ainda, “em qualquer lugar do mundo é assim..”, porém não é. Os EUA tem leis muito claras e feitas para serem cumpridas de fato. Achar que as leis daqui podem ser interpretadas como se faz no Brasil é ter certeza que terá problemas sérios a enfrentar. Quando se trata de contrato, o brasileiro precisa ler, pois o contrato está acima de qualquer lei. O conselho é procurar cercar-se de profissionais quando for fazer negócios que envolvam contrato e saber, muito bem, se há leis que o protejam dos seus argumentos do que é certo ou errado.

Falta de uma boa pesquisa de mercado

calculator-178127_960_720Muitos brasileiros já vem com a intenção formada do que fazer e no que se “meter” quando chegar à América. Sem orientação profissional e boa quantidade de opções para se estabelecer, vão direto naquilo que sonha ser a sua forma para ganhar o sustento no solo do Tio Sam achando que tudo fluirá após esse único passo. Porém, uma pesquisa, seja ela profissional ou pelo próprio interessado, pode “abrir os olhos” para não entrar em negócios ou empregos frustrantes. Um conselho interessante é verificar negócios à venda naquilo que espera ser seu sustento. Por exemplo, se pensa em abrir ou comprar um dry-cleaning, vá conhecer quatro ou cinco deles que estão sendo vendidos e verifique os motivos disso. De quebra ainda conhecerá um pouco de seus concorrentes e aprenderá o que fazer ou não fazer em sua empresa.

Achar uma “perda de tempo” atualizar-se com cursos ou faculdades

A autoconfiança muitas vezes pode ser um problema. Ao se achar “bem-sucedido” no Brasil, não entende como necessária a importância de se atualizar academicamente e voltar aos bancos escolares para um mestrado ou um curso complementar, estando no mercado sem ter nada a oferecer, além da vontade de mudar para um lugar melhor e mais seguro. Dessa forma, muitos acabam se frustrando ou sem entender porque mesmo “com bagagem” o negócio não deu certo.

Agir como se ainda estivesse no seu país de origem

Agir como se estivesse no seu país, quando se é facilmente entendido por seu aspecto empresarial ou empregatício, sem levar em conta a forma como as pessoas vivem socialmente e culturalmente nos Estados unidos, frustra o imigrante, pois ele sempre “agiu assim e deu certo”. É preciso se desapegar do passado e entender que ao atravessara fronteira, uma nova cultura está te esperando e com ela novos tipos de pessoas, visões, empregos. Não é por acaso que vemos casos de pessoas deportadas por pequenos furtos, presas por beberem álcool acima do permitido ou envolverem-se em casos de “soliciting for prostitution” (quando uma policial disfarçada convence-os a tirarem dinheiro do bolso). Essas decisões frequentes e frustrantes levam-nos a serem banidos do convívio social da América.

Insistir em negócios não lucrativos

A forma de analisar negócios como conhecemos no Brasil, em que o capital é o elemento mais importante para o sucesso de um empreendimento, esbarra na habilidade do negócio gerar resultados, no lugar de simplesmente capitalizá-lo e ter lucro. Há muito o que se falar sobre este tema, vai da frustração do brasileiro em não se satisfazer com um lucro de 10%, considerado alto para os moldes americanos, até o fato de esperar chegar à terra do Tio Sam e inventar um produto no qual ninguém “pensou antes”. Mais uma vez: muita leitura, informação e pesquisa é necessário aqui.

Alguns fatores ainda poderiam ser citados, mas o mais importante ao pensar em mudar de país e fazer negócios nos Estados Unidos é entender que é uma decisão difícil que precisa ser avaliada de forma séria e profissional, e nunca por impulso.