O senador republicano John McCain, conhecido entre muito americanos como “The Maverick”, faleceu às 4h28 pm (Pacific Time) do sábado (25), aos 81 anos, vítima de um tumor no cérebro. McCain foi muito conhecido por sua carreira política nos EUA e lutava há mais de um anocontra um glioblastoma (tumor cerebral). Ele combateu no Vietnã, onde foi prisioneiro por mais de cinco anos. Desde 1987 era senador pelo Arizona. Em 2008, perdeu a eleição presidencial para o democrata Barack Obama.

Na sexta-feira (24), a família do senador liberou um comunicado à imprensa afirmando que ele tinha tomado a decisão de interromper o tratamento médico contra seu câncer no cérebro, diagnosticado em 2017. Para muitos que souberam desse comunicado da família na sexta, foi uma surpresa saber de sua morte no dia seguinte.

O comunicado afirmava que “no verão passado, o senador John McCain compartilhou com os americanos a notícia que nossa família já sabia: ele havia sido diagnosticado com um glioblastoma agressivo e o prognóstico era sério. No ano seguinte, John superou as expectativas de sobrevivência. Mas o progresso da doença e o avanço inexorável da idade deram seu veredito. Com sua habitual força de vontade, ele agora decidiu descontinuar o tratamento médico”.

Desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca, a relação de McCain com o presidente era muito tensa, já que o influente senador não aprovava muitas políticas de Trump e nem a sua maneira de conduzir as relações externas. Em maio, o “New York Times” revelou que McCain tinha dado instruções para as pessoas mais próximas a ele para que Trump não fosse ao seu funeral, e que no lugar estivesse o vice-presidente Mike Pence.

McCain se ausentou de Washington desde dezembro (2017), deixando um vácuo nos corredores do Senado e nos estúdios de televisão que ele percorreu por décadas. Nas últimas semanas, porém, ele não ficou completamente quieto, já que, em maio, convocou seus colegas senadores a se oporem à indicação de Trump por Gina Haspel para liderar a CIA. Sua oposição à nomeação de Haspel foi ofuscada por vazamentos da Casa Branca. Sobre o fato, a assessora de Trump, Kelly Sadler, respondeu dizendo em uma reunião, supostamente como uma piada, “ele está morrendo de qualquer jeito”.

McCain também teria criticado diretamente o próprio comandante-chefe. Em julho, ele reprovou um encontro de Trump com o presidente russo, Vladimir Putin, dizendo que foi “uma das mais vergonhosas apresentações de um presidente americano na memória”. E completou dizendo “os danos infligidos pela ingenuidade do presidente Trump, egoísmo, falsa equivalência e simpatia pelos autocratas são difíceis de calcular. Mas é claro que a cúpula de Helsinque foi um erro trágico”.

Em seus últimos meses no Senado, McCain se intitulou quase como a consciência do Congresso, exigindo que seus colegas se levantassem e agissem para um melhor controle sobre as atrocidades de  Trump.

No que parece ser seu triunfo legislativo final, Trump sancionou a Lei de Autorização de Defesa Nacional de John S. McCain no início de agosto (2018). Mas em um novo sinal de hostilidade, Trump, que uma vez disse que não considerava McCain um herói de guerra porque foi capturado, nem mencionou o nome do senador do Arizona.

McCain passou os últimos meses aceitando visitas e telefonemas de amigos políticos em sua casa, no Arizona. Em seu novo livro de memórias, “The Restless Wave”, ele disse que recebeu ligações desde o diagnóstico de antigos parceiros de sparring, incluindo os dois homens que encerraram seus sonhos na Casa Branca em 2000 e 2008: os ex-presidentes George W. Bush e Barack Obama.