Por Lindenberg Junior | Tradução: Angela Hasan

Em São Francisco, em 1986, o grupo de dança e escola de samba Aquarela foi fundado com o conceito de ensinar o samba real e promover a cultura brasileira. Atualmente, o grupo é formado por quatro veteranos que têm dançado há mais de 25 anos, e três novos componentes que trazem juventude e entusiasmo à arte deles. Eles ensaiam de duas a três, duas vezes por semana, já que o grupo tem o compromisso de participar de diversos shows por mês.

Aquarela tem sempre tentado nomear dançarinos com experiências diversificadas que embalam a cor e a diversidade do Brasil, e apesar de tradicionalmente ser composto por brasileiros nativos, agora parte dos membros são nascidos na América. Samba, dança brasileira originada na África e mais tarde desenvolvida em seu estilo durante o tempo da escravidão, particularmente nas plantações de cana de açúcar.

No século 19, após a abolição da escravidão, o samba começou a fortalecer-se na cultura brasileira e virou a dança nacional brasileira. O samba é frequentemente associado à Parada de Carnaval anual do Rio. “Samba no Pé” é o mais procurado estilo de dança brasileira, com ritmo e características fortes. Com a combinação de “ginga & malandragem” (movimento e atitude), estilo e graça, é um dos mais difíceis estilos de samba.

Maria Amabilis Souza, fundadora do grupo diz “é importante para os dançarinos brasileiros garantir que seus co-dançarinos entendam totalmente que a dança brasileira não é vestir-se de forma sexy. É necessário entender o samba no pé, um pouco de nossa história e cultura”. A meta da Maria é promover a cultura brasileira e o carnaval através da Bay Area e redondezas, compartilhando suas raízes culturais através da representação da bonita tradição do samba e outros temas folclóricos. Ela diz “nossa intenção é mostrar a rica cultura e raízes do Brasil, valorizando três raças – índios nativos, europeus, e africanos, trazendo ao público a emoção e felicidade do brasileiro de celebrar a vida.”

Mikaela, um membro Colombiana-Americana enfatiza: “É importante ter respeito e humildade ao interpretar outra cultura. É terrível ver outros grupos interpretando erroneamente o espírito do samba, fazendo-o vulgar ou degradante”. Silvana, uma enfermeira brasileira da Kaiser Permanent em Oakland, e com a Aquarela desde o início, diz: “Eu sinto o grupo como minha segunda família. Geralmente vamos juntos aos ensaios todas as quintas-feiras, e viaja para performances em Los Angeles, Las Vegas, Hawaii e outras cidades nos Estados Unidos, inclusive para excursões em Taiwan e Singapura”.

Seus membros têm orgulho da reputação do grupo por sempre apresentar uma autêntica música e dança brasileira e não apenas focar no glamoroso estilo de samba do Rio. Eles interpretam uma variedade de estilos que mostram a diversidade da cultura brasileira, incluindo o axé, afoxé, samba-regaee, xaxado, forró, pagode e gafieira. Para Silvana, o nome Brasil está na moda mais que nunca nos Estados Unidos, mas a beleza da música e da dança é a referência mais forte para todos. Ela diz “Acho que é importante ter uma sincronia da música com os movimentos da dança, bem como o envolvimento do todo para que essa mistura seja um conjunto de plenitude, energia e graça.”

Embora o grupo tenha crescido e tornado-se uma bem sucedida companhia de dança, Aquarela mantém uma forte camaradagem e irmandade entre seus principais dançarinos. Maria diz “Tive muitos bons momentos com o grupo, mas gostaria de mencionar minha felicidade em ver antigos dançarinos se emocionando por voltar e compartilhar comigo este ideal”. Antigamente, eles faziam uma viagem ao Lago Lake para um final de semana de relaxamento e esqui, bem como um acampamento de verão e uma festa de natal.

Facebook Comments

Share This