Por Rosana Braga

Passei quase toda minha vida apostando que, num relacionamento, tudo deveria ser dito, tudo deveria ser contado, sem omissões nem mentiras. Levei muito tempo para compreender que existem verdades desnecessárias. Hoje percebo que na vida de cada um de nós ocorrem fatos que nada acrescentam quando contados ao outro; que só o machucam e não proporcionam evolução à relação; ao contrário, causam dores e ressentimentos sem motivos que justifiquem sua revelação, servindo mais como tortura do que facilitador na resolução de problemas e desentendimentos.

Sei que esta minha opinião pode causar polêmicas, mas não estou defendendo a mentira conveniente a quem conta, e sim o silêncio que respeita a pessoa amada, a omissão que evita ciúme, insegurança e lágrimas. Também não pretendo incentivar enganações e infidelidades, e sim defender o direito que temos de não ouvir o que não precisa ser ouvido. Se você está com a consciência tranquila e realmente pretende investir neste amor, pra que entrar em assuntos que ferem o orgulho do outro e aflora sentimentos como raiva e insegurança?

Tenho visto casais que, numa decisão imatura ou em momentos de impulsividade, revelam detalhes de certas atitudes ou contam acontecimentos do passado e até mesmo do presente que não têm importância e não mudam os sentimentos, mas que, quando ditos, provocam dúvidas que alfinetam a autoestima e abalam a autoconfiança.

Então, fui percebendo que as palavras podem ser essenciais quando servem para posicionar o outro sobre um sentimento verdadeiro (seja ele recíproco ou não) ou sobre algo que tenha significado o bastante para influenciar a relação. Caso contrário, são desnecessárias, ou melhor, servem como adubo para cultivar “minhocas” que acabam com a harmonia entre pessoas que se amam.

Claro que tudo se torna mais fácil quando os dois estão cientes disso e um não fica “cutucando” o outro com perguntas descabidas, tentando investigar uma situação a todo custo e sem uma razão que o valha, porque este comportamento serve, sobretudo, para validar o dito popular: “quem procura, acha!”.

Invista em intenções e palavras válidas, em verdades construtivas e no desejo sincero de fazer dar certo o seu relacionamento. Assim, estou certa de que bem menos pessoas se sentiriam tão fragilizadas e com tanto medo de amar novamente se não fossem expostas a palavras tão dolorosas, verdades tão vazias e tão inoportunas.

Quando sentir vontade de disparar palavras contra o outro como se fossem tiros de espingarda, respire fundo, dê meia volta e vá embora. Mais tarde, com os ânimos menos alterados, certamente você conseguirá dizer o que precisa ser dito, sem cair na tentação de ferir para se defender do que quer que seja.

Em última instância, poupar um coração é sempre um grande ato de amor, especialmente nos momentos em que esta nos parecer a opção mais difícil!

 *Rosana Braga vive em São Paulo, é jornalista e autora de vários livros sobre autoajuda e relacionamento amoroso. Colaborou com a Soul Brasil nos dois primeiros anos da revista – www.rosanabraga.com.br 

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