Por Clélio Berti

Quando olhamos o panorama do yoga em nosso país, temos uma grata surpresa em notar que houve uma evolução expressiva. O yoga adentrou no Brasil mais expressivamente na década de sessenta. Naqueles tempos, tivemos uma forte conotação mística. Mas, mesmo na década de sessenta, começaram as versões mais técnicas da atividade.

Em ambos os casos, o yoga era ensinado e praticado em espaços místicos ou holísticos e estava presente entre uma série de atividades. Porém já surgiam as escolas dedicadas, exclusivamente ou prioritariamente, ao Yoga.

Nos anos que se seguiram, algumas correntes se fortaleceram e outras surgiram. Algumas permaneceram restritas a um grupo de pessoas. Dentre as principais tendências, temos:

1 – Yogaterapia

Trata-se, principalmente, de técnicas utilizadas no Yoga para efeitos terapêuticos. Foi direcionada, principalmente, para enfermos e terceira idade. Em razão do público fim, as técnicas foram simplificadas, pois um enfermo ou terceira idade, geralmente, não tem o vigor necessário para suportar técnicas mais intensas. Um dos principais defensores dessa linha foi o Professor Hermógenes, com os livros “Yoga para Nervosos” e “Saúde Plena com Yogateraia”. A base era o Hatha Yôga praticado de forma suave, como veremos no item abaixo.

2 – Hatha Yoga e suas Variações

Os fundamentos históricos do Hatha Yoga são: yama, nyama, ásana e pránáyáma. Na versão original é uma modalidade intensa e vigorosa. No nosso país, evoluiu de duas formas: a primeira, para técnicas mais simples e voltadas para o relaxamento ou a terapia (geralmente professores mais idosos); na segunda, se manteve o vigor original (geralmente professores mais jovens). Uma característica interessante é o acréscimo de técnicas de relaxamento. Um grande influenciador dessa modalidade foi Antonio Blay com o livro “Fundamento e Técnica do Hatha Yoga”. Uma das modalidades mais praticadas em nosso país.

3 – Iyengar Yoga, Ashtanga Vinyasa Yoga

Esses métodos têm raízes no Hatha Yôga pois os fundamentos básicos são respiração – pránáyáma, e posições físicas – ásana. As particularidades são em função das características dos seus fundadores. São modalidades intensas e vigorosas.

4 – Swásthya Yoga

Esse método tem raízes no Yoga antigo. Resgata o Yoga praticado pelos drávidas antes da invasão ariana e, portanto, tem conotação técnica, naturalista e matriarcal. O principal difusor foi DeRose com o livro “Tratado de Yoga”. Também uma das modalidades mais praticadas no Brasil.

5 – Bhakti Yoga

As variantes devocionais não atingem um grande número de pessoas. Talvez pela nossa tradição cultural.

6 – Espaços Mistos

Embora na Índia não haver misturas de escolas e métodos (como regra), no Brasil é frequente escolas que mantém professores de diferentes linhas. Essas escolas são espaços destinados à prática do Yoga, porém, geralmente, não possuem um professor sênior (mestre). Outra característica marcante é a prática voltada, quase que exclusivamente para as técnicas.

7 – Academias

Mais recentemente (depois de 2003) foi introduzido, de forma intensa, o Yoga nas academias. Embora tenhamos professores gabaritados ministrando as práticas, o que se foca são os respiratórios – pránáyámas, as posições físicas – ásanas, e o relaxamento – yôganidrá. A prática é destituída de qualquer conotação filosófica. Trata-se de técnicas pura e simplesmente.

Os destaques positivos nos últimos sessenta anos foram:

A) A expressiva evolução técnica dos professores. Se antes da década de sessenta era raro um professor de Yoga, muito mais raro era um professor detentor de uma boa técnica. Nos anos seguintes, o Yoga teve professores mais idosos (como regra) e que não conseguiram uma performance de alto nível. Porém, nos anos oitenta, principalmente, começou o interesse, no magistério, por um grande número de pessoas jovens. A técnica despontou e hoje temos um cabedal de professores em praticamente todas as modalidades e altamente qualificados tecnicamente;

B) Aumento do número de praticantes e de professores jovens. Quando o praticante começa jovem e torna-se professor terá tempo para o aprofundamento. Nesse sentido, o aluno tende a chegar num certo ponto e parar a evolução técnica. O professor continua;

C) Ampliação do número de espaços dedicados, exclusivamente ou preferencialmente, ao Yoga. O aumento do número de escolas de Yoga favoreceu o aparecimento de professores bons e dedicados;

Os destaques negativos nos últimos sessenta anos foram:

A evolução emocional e mental dos professores, como regra, não acompanhou a evolução técnica. Temos muitos professores bons, tecnicamente, mas temos poucos professores com um nível evolutivo significativo emocional, mental e intuitivo. Quem bem traduz esse conceito é Gopi Krishna no seu livro “O Despertar de Kundaliní”.

*Clélio Berti vive em Campinas, Brasil, e entre os livros que já escreveu está “Um caminho para o Autoconhecimento – Ícone Editora Brasil”. Clélio pertence à organização Universidade de Ioga do Brasil.

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