Por Fabienne Lopez

A vida profissional ainda é uma fonte de conflito para as pessoas, divididas entre fazerem o que gostam/sonham e a pressão em escolher uma profissão que “traga sucesso financeiro”. Antigamente era a família que decidia que profissão o jovem deveria seguir, dentro de uma gama relativamente restrita de profissões consideradas “tradicionais”. Hoje em dia, somos seduzidos por uma enorme oferta de profissões, o que de certa maneira dificulta ainda mais a escolha de uma atividade em harmonia com nossos interesses, anseios e aspirações .Quem é que nunca escutou isso na vida?

Os pais vivem perguntando às crianças que profissão elas querem ter. Os jovens preocupam-se em escolher uma profissão bem remunerada, reconhecida no mercado na hora de prestar vestibular e escolher uma faculdade. Os adultos preocupam-se em fazer carreira. Dá para perceber, então, que se trata de uma questão central na vida das pessoas. Com certeza, tem sido uma constante pergunta para mim, quando me flagro lembrando de todas as profissões que considerei ter vocação ao longo de duas décadas de carreira profissional. Quis ser diplomata, relações públicas, publicitária, promotora de eventos, decoradora/designer e claro, artista de cinema.

A maioria acaba sentindo-se frustrada com o emprego e procura compensações pragmáticas – aumento salarial, horário flexível, um chefe que reconheça os méritos e esforços – como justificativa para continuar com a mesma profissão. Mas existem pessoas para as quais o trabalho possui fortes conotações morais, filosóficas e emocionais, estando intimamente relacionado com o projeto de vida em geral e com o processo do autoconhecimento.

Muitas vezes, a pergunta “O que você quer ser quando crescer” é uma questão que as persegue pela vida afora até elas sentirem que encontraram o caminho. Nesta minha peregrinação, as lições de vida que aprendi foram as que me ajudaram a encontrar a minha resposta. Abaixo, algumas delas:

• Acreditar que é tarde demais. Com o aumento da expectativa de vida, as estatísticas mostram que um adulto terá em média uma dúzia de empregos e pelo menos três profissões diferentes. Quantos de nós não trabalham numa área diferente daquela na qual se formaram?

• Não saber discernir entre um “emprego” e um “bom emprego”, mesmo que não seja aquele que com o qual você sonha.

• Não aproveitar uma oportunidade por estar esperando pela oportunidade certa. Aliás, poderia estender esta observação para minha vida sentimental. Quantas de nós, mulheres, estão a espera do “príncipe encantado” e recusam o pobre do “sapo”

• Não considerar o aspecto moral do trabalho.

• A armadilha da hesitação. “ Sim, estou interessado, mas estaria eu interessado o suficiente a ponto de dedicar minha vida a esta profissão? Seu desejo somente precisa ser grande o suficiente para dar o primeiro passo. A partir daí, você vai descobrir se o seu desejo desaparece ou aumenta.

• O mito da análise racional, ou seja, não somo robôs. Não é possível descobrir a resposta racionalmente. Somos seres emocionais. Nenhum teste analítico e/ou vocacional pode substituir a necessidade de discernimento. Eu o que o diga!

• O mito do quanto você ganha ser mais importante do que quanto você gasta.

• A falácia de “Primeiro X, depois Y”, ou seja, vou primeiro garantir meu futuro, para depois fazer o que eu quero. A maioria das pessoas tem medo de fracassar no que elas mais gostariam de fazer, e por isso acabam escolhendo uma profissão diferente para não arruinar o sonho.

• A ilusão do encaixe perfeito. Não se trata do que você faz, mas do que você está trabalhando para conquistar. Satisfação no trabalho raramente provém de uma combinação perfeita entre suas qualidades e talento com as exigências do emprego. É impossível encontrar um emprego que não tenha aspectos negativos. A solução é, pelo contrário, investir num emprego que lhe satisfaça de tal maneira que as desvantagens sejam aceitáveis.

• Vocação não é algo que percebemos necessariamente quando jovens. Na maioria das vezes, crescemos junto com ela e a descobrimos com o passar do tempo, através de erros e acertos. Aqueles que descobriram uma vocação o fizeram através de um trabalho árduo para transformar a oportunidade inicial em algo gratificante.

• Trata-se não apenas de conseguir fazer o que você gosta, mas também de gostar daquilo que você consegue.

• Não pergunte “serei feliz fazendo isto”, pois você pode ser feliz fazendo um grande número de coisas. As pessoas não estão buscando felicidade, mas sim satisfação. Pergunte-se “este trabalho me satisfaz?”

E você já sabe qual é a sua resposta?

* Fabienne Lopez é uma astróloga brasileira que reside a vários anos na área da baia de São Francisco. Ela foi uma colaboradora frequente da Soul Brasil magazine durante dois anos, entre os anos de 2005 e 2006 – Fabienne_at_astro-brasil.com

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