Por Alberico Manoel

 

O que é que a Bahia tem que a torna tão especial? Tem acarajé, dendê, cultura, história e um povo festeiro e alegre. É a Bahia de Dorival Caymmi, do “o bem e mal”, “dos dois corações, que é mar e das canções”; de Castro Alves, o Poeta Abolicionista;  de Jorge Amado, das Terezas Batistas Cansadas de Guerra; de Maria Bethânia, dos Carcarás; de Gilberto Gil, dos Superhomens e da simplicidade do seu povo.

Quem vai a Salvador se encanta e desencanta. Fica alegre e triste. As diferenças sociais da cidade são bem contundentes. A diversidade cultural e histórica é rica e contrasta com a situação real. Porém, quem chega aqui na cidade observa uma cidade bela, detalhista em sua cultura. Uma terra onde todas as cores se misturam, onde a miséria e a riqueza se abraçam e convivem lado-a-lado.

Passando pela cidade e se dirigindo do Aeroporto ao Centro Histórico podemos ver a beleza de sua orla. Suas paisagens, seu clima, o vento batendo no rosto, jogando a maresia em seu corpo e fazendo um convite para um banho de mar; o sol a torrar a pele e o calor maternal da cidade que abriga quem a visita.

Ao chegar no centro o contraste do velho com o novo. O elevador Lacerda flertando com a Bahia de Todos os Santos fazendo o visitante ver o mais belo pôr-do-sol. A Marina, o Centro Náutico a sua esquerda, e a marinha, a sua direita, contrastando com os pescadores no cais a realizar logo pela manhã bem cedo seu ritual trabalhisco esculpindo em seus corpos o trabalho braçal.

Subindo em direção ao Campo Grande pela avenida Contorno, o visitante se deslumbra com a paisagem local. Entre a pista e mar, passando pela rua pode-se avistar um hotel cinco estrelas, Trapiche Adelaide na Baía de Todos os Santos. Mais adiante o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) entre sua beleza natural e arquitetônica de grande valor histórico, pois foi um dos engenhos da antiga Salvador na época da escravidão, agora representado por um belo casarão antigo – Século XVII.

Quem se põe a visitar o museu pode ver obras de grandes pintores brasileiros do Século XX que transformaram uma época. No inicio da manhã ou no final da tarde a natureza ofusca os olhos de seus visitantes, e ainda a depender do período pode-se assistir os shows de jazz aos sábados a noite. Contudo, o visitante não pode ficar desprecavido devido ao horário e a precariedade no processo de revitalização do centro antigo de Salvador.

Chegando ao Campo Grande pode andar pelo parque arborizado, apreciar suas fontes, árvores e estátuas históricas, e assim, sentar, passear, olhar as pessoas,contemplando a cidade e suas paisagens. Depois de todo esse tour pela cidade da música, pela UNESCO, o visitante se recolhe ao seu aposento, cansado e confortavelmente recolhido, pode descansar um pouco ou ver mais da cidade noturna e o que ela oferece.

O Rio Vermelho é uma grande sugestão para quem gosta de um programa diversificado e mais movimentado. Entre shows, música ao vivo e ficar a “prosear” no Largo de Santana. O ponto de encontro do bairro remete um ar boêmio e encantador e quem ficar a passear na região pode conferir o que tem de melhor. Têm também a Barra, Dique do Tororó com sua paisagem exuberante com as imagens dos Orixás. Pelourinho, Abaeté, Ribeira, Monte Serrat, a suburbana e a praia da Base Naval, perto do Enema, conhecida, por estadias presidenciais. Também, no local dá acesso a bela ilha de Maré e praia dos frades.

No Centro Histórico, um conjunto arquitetônico é visto logo em sua chegada. A estrutura sólida de seus edifícios históricos que falam de seu passado, as riquezas de suas igrejas, seus detalhes, sua arquitetura e sua grandeza entre os brilhos dourados internos do metal precioso e os desenhos rebuscados, dramáticos e contorcidos do barroco em suas paredes.

Quem se dirige para o Pelourinho vê os contrastes entres as suas edificações antigas e restauradas e as pessoas largadas nas ruas pedindo e assediando o turista, talvez, assustando, mas, nada que preocupe, pois o lugar é monitorado por câmeras e bem policiado e um dos lugares mais seguros de Salvador. Para o público alternativo e LGBT, o Pelourinho é considerado “gay friendly”.

Tem o hotel Casa do Amarelindo, e para para quem quer algo mais luxuoso o Othon Palace, em Ondina. Ainda no Pelourinho, para quem quer conhecer um pouco da cultura baiana e de sua história, pode visitar os seus museus e encontrar belas histórias contadas em forma de figuras, fotografias, quadros, esculturas  e outros artefatos. Entre o sacro e o popular os museus exprimem o contexto histórico e cultural para os visitantes. Existe também o Museu de Arte Afro-Brasileira Baiana.

No Largo do Pelourinho ver-se-á a paisagem da Casa de Jorge Amado, do lado do Museu da Cidade com tapetes e alguns objetos pertencentes ao grande poeta baiano Castro Alves, e em sua frente à Ladeira do Carmo. Antes de passar por lá se avista a Igreja de Nossa Senhora dos Rosários dos Pretos em sua esquerda, onde acontece o encontro do ritual religioso do Candomblé com suas batidas dos atabaques e o sermão da Igreja Católica. Em suas ladeiras de pedras o “Pelô”, como assim é chamado, é belo por sua riqueza cultural, pela diversidade de pessoas que transitam em suas transversais, pelos comerciantes e artistas que vendem seus produtos expostos na ruas ou em galerias.

A Bahia é bela por si só. Pode se ir para capital ou apreciar a tranqüilidade do interior. Na Chapada Diamantina o turista se deleitará com suas belezas naturais, exuberantes e harmônicas. Para quem procura, mesmo no interior, um pouco mais de agito, tem o Festival de Inverno de Lençóis, e o Festival de Inverno de Vitória da Conquista com seus quase 10ºC média de temperatura.

Também tem Morro de São Paulo, Porto Seguro, Arraial D’Ajuda, Itacaré. Na linha verde, mais tranquila, tem Arrembepe, Itacimirim e Imbassaí, que respeitam a diversidade e possui um clima ideal para quem quer passar bons momentos – romantismo regado ao sopro suave da brisa marinha e a desertidão nas areias da praia à noite aliada a um bom atendimento dos estabelecimentos.

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