As fake news se manifestam com as mais diversas finalidades. Alguns produtores de conteúdo perceberam o óbvio: é muito mais fácil gerar audiência para seu site/blog quando o leitor encontra um conteúdo que reforça aquilo que ele acredita ou defende, mesmo que isso seja mentira. E aí a multiplicação de notícias falsas nas redes sociais se multiplicaram.

Modificar uma notícia ou fato, adicionando ou retirando algo que funcione para reforçar sua narrativa, funciona bem, principalmente por se tratar de uma “quase verdade”. Uma fake news pode surgir como vídeo, áudio, texto ou imagem, ser propagada na imprensa tradicional ou no ambiente digital, não importa, mas há um princípio básico para que um conteúdo seja considerado uma fake news: ele tenta se vender como verdade, como fato, quando não é.

O problema não é apenas a mentira em si, mas o alcance possível que a internet e as redes sociais proporcionaram e a velocidade absurda com a qual se dissemina. Atualmente, é difícil encontrar alguém, com acesso à internet, que nunca tenha recebido uma notícia falsa, não é mesmo? Os boatos não foram inventados pelas redes sociais, mas o crescimento delas expandiu o acesso à informação e, consequentemente, às fake news.

De acordo com um estudo dos cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), as notícias falsas se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras, alcançando um grande número de pessoas. O estudo foi publicado na revista Science e os dados são alarmantes.

A checagem da informação, antes do compartilhamento, é uma grande aliada contra a disseminação de informações inverídicas. Um estudo do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai) da Universidade de São Paulo (USP) apontou que, somente nas redes sociais, 12 milhões de brasileiros compartilham notícias falsas. Um número preocupante.

Mas calma. Nem tudo que se lê em sites, por exemplo, são fake news. Muitos são apenas conteúdo duplicado, ou seja, quando o site pega um texto de outro site e o republica inteiramente no seu, como se a notícia fosse originalmente dele.

O Google afirmou que, no ano passado, bloqueou mais de 12 mil sites que copiavam e duplicavam conteúdo de outros sites. Outros 650 sites foram banidos do sistema de anúncios e quase 90 mil sites entraram numa lista negra por violarem a polícia de AdSense.

Jogar a culpa da propagação das fake news no Facebook, Google ou qualquer outra rede é tolice. As redes sociais são o meio, não o motivo. Investir milhões em inteligência artificial e desenvolver algoritmos mais precisos pode reduzir o impacto das fake news, identificando mais rapidamente esse tipo de conteúdo, banindo suas origens e penalizando aqueles que tem o hábito de ampliar seu alcance.

Então seria o meio mais prático, atualmente, de evitar que mais fake news surjam e se disseminem numa velocidade descontrolada. Cabe às empresas com maior poder aquisitivo do mercado quererem investir nesse sentido, afinal, todos sairiam ganhando.

Notícias sobre Política e Investigações da Polícia Federal são Principais Fontes de Fake News no Brasil

Desde o início da operação Lava Jato, que investiga e prende políticos que cometeram crimes no Brasil, tem surgido na internet diversas informações falsas vindas de diversos sites e até sem fontes, apenas escritas e repassadas em redes sociais sem a menor responsabilidade. Da mesma forma tem acontecido com temas específicos no país, cujas eleições presidenciais ocorrem em outubro, como fake news com as palavras chaves: Lula, Bolsonaro, Sérgio Moro, Intervenção Militar, entre outros.

As notícias vão desde prisões que não existem, crimes nunca comprovados, dados falsos, pesquisas eleitorais inventadas, entre outros. Um dos sites responsáveis por disseminar notícias falsas ou duplicadas – copiadas de outros sites – na internet é conhecido como “Notícias Brasil Online”. Os donos desse site e de vários outros que produzem fake news são os sócios Rafael Brunetti e Hugo Dantas, que além deste “trabalho” são parceiros numa empresa de revenda de produtos para carro.

O compartilhamento de fake news no Brasil está tão desenfreado que o Notícias Brasil Online, principal negócio da dupla, ficou recentemente em 3º lugar em um ranking feito pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital, publicado pelo professor Pablo Ortellado, da USP, entre as páginas com o melhor desempenho após uma mudança no algoritmo do Facebook – superando vários sites oficiais da imprensa tradicional.

Pelo menos 20 páginas no Facebook divulgam regularmente os links dos sites da dupla. As publicações nessas páginas tentam atrair cliques para os sites que administram. Entre as páginas, estão “Operação Lava Jato – Apoio o Juiz Sergio Moro” (com 600 mil curtidas) e “Brasil na Lava Jato” (com 391 mil curtidas). Parte das páginas foi retirada do ar depois de denúncias, porém algumas voltaram ao ar na semana seguinte, com menos posts.

E os cliques e compartilhamentos daqueles que não checam a notícia e repassam fake news ou notícias duplicadas rendem dinheiro. Segundo a estimativa do StatShow, apenas um dos sites de Rafael e Hugo, o Notícias Brasil Online, tem 125 mil visualizações de página por mês – ou 56,7 mil visitantes únicos. Sem considerar outras fontes de dinheiro, o site pode render mensalmente ao menos R$ 1.400 (360 dólares) para os sócios. Esse valor é apenas uma estimativa. A renda dos negócios pode ser maior – principalmente se os sócios fizerem algum contrato com alguma pessoa ou empresa diretamente.

De acordo com o G1, que produziu uma reportagem investigativa sobre a dupla de empresários que trabalha com fake news, o Facebook não comenta casos específicos, mas diz que as notícias falsas têm sido motivadas por questões econômicas e políticas. Os cliques de internautas se revertem em lucros, diz. Segundo a gerente de produto da empresa, Tessa Lyons, o Facebook tem diminuído o alcance orgânico de “conteúdos de baixa qualidade como caça-cliques”, deletado contas e conteúdos que violem as regras e informado os usuários sobre os conteúdos que elas veem na rede social.

O Google também não comenta casos específicos, mas afirma que leva o “fenômeno da desinformação muito a sério”. Em nota, a empresa diz que trabalha para manter o “sistema de anúncios livre de conteúdos ruins, especialmente aqueles que buscam enganar as pessoas”. O Google afirma ainda que atualizou as diretrizes para impedir que os sites “exibam anúncios do Google em conteúdos enganosos”. A empresa pode notificar os donos dos sites, que podem entrar para uma lista negra ou podem ser suspensos.

E você, sabe identificar uma fake news? Confira estas dicas abaixo para não cair nessa cilada:

Confira a fonte: antes de compartilhar uma notícia, verifique se a fonte é confiável. Dê sempre preferência para portais e sites de renome e/ou que você conheça. Não quer dizer que um grande site esteja livre de publicar uma informação falsa, mas as chances são menores.

Leia a notícia completa: não é raro pessoas compartilharem uma notícia apenas pelo título ou primeiro parágrafo. Ler a reportagem inteira pode ajudar a identificar se aquela informação é ou não verdadeira.

Pesquise sobre a informação: Não custa nada pesquisar sobre a informação no Google e verificar se mais algum site ou portal está noticiando. Caso não esteja, as chances de a notícia ser uma fake news é muito grande. Atenção.

Verifique a data da postagem: Notícias antigas também podem ser divulgadas e compartilhadas, sem que as pessoas percebam que não se trata de algo atual. Então, fique de olho nas datas de publicação.

Erros de ortografia e concordância: Leia a reportagem. Pode acontecer de o jornalista errar uma coisinha ou outra ao longo de uma reportagem, mas, se o texto tiver muitos erros, desconfie.

Navegue pelo site: Encontrou uma notícia e não tem certeza se é verdadeira? Navegue pelo site e entenda se o veículo é mesmo sério, se as reportagens são assinadas por jornalistas, bem escritas e relevantes.

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