By Lindenberg Junior 

Do desejo e da obstinação de dois homens, Pedro Comércio e José Guimarães Passos, respectivamente topógrafo e engenheiro, nasceu o PETAR. Sertanistas e naturalistas que eram, não poderiam ver tanta beleza esmagada em nome do progresso. Em maio de 1958 o então governador de São Paulo, Jânio Quadros, assinava um decreto que salvava a última faixa de Mata Atlântica intocada do estado de São Paulo. Por baixo da riqueza de vida desta que é considerada a floresta de maior biodiversidade do planeta, se esconde um tesouro muito significativo: são centenas de belíssimas cavernas.

A ação da água nas rochas metacalcárias num período de milhões de anos proporcionou a formação de cavernas subterrâneas, com piso, paredes e tetos ornamentados por inúmeros espeleotemas (colunas, cortinas, estalactites, estalagmites, etc.), subdivididos em grutas (geralmente horizontais) e abismos (verticais) de diferentes tipos de dimensões. Há 250 milhões de anos atrás, não existiam florestas nem cavernas nesta região. Apenas as águas salgadas e, os micro-organismos de um antigo mar interior, quando o mundo apenas começava a adquirir seus contornos atais.

Caprichosa e mutante, a terra se configuraria outras tantas vezes ainda, com o passar das eras: separações continentais, tremores, elevações e erupções. Foi também pela revolução intraterrena que a atual região do PETAR de fundo de mar, se elevou  ás alturas e virou uma montanha branca calcária e, aos poucos, se cobriu de verde atlântico.

Devido ao solo que ali não se adaptou a agricultura e a criação extensiva de gado, além do relevo que afastou a ocupação humana, a natureza do Alto da Ribeira foi salva para os dias de hoje, tornando-se assim, a maior área intacta e contínua de mata atlântica restante no país com cerca de 35 mil km2. Se no passado o mar ilustrou um capítulo de grandes transformações geológicas, nos últimos milênios foram os rios que o fizeram; Batendo, insistindo, se infiltrando, cavando, os rios impuseram rocha adentro, penetrando o mundo da montanha. Quem olha de longe, mal suspeita que a externa grandiosidade e solidez das montanhas estão na verdade carcomidas e vasculhadas pelos rios.

O ventre da terra do PETAR é hoje úmido, entranhando e esculpido de cavidades escuras, que esses “homens-tatus” chamados espeleólogos, acharam por bem amar. São mais de 300 cavernas, das quais se destacam a “Santana”, que tem 5813m de desenvolvimento e 61m de desnível, a “Água Suja”, que tem o maior desnível com 297m e tem uma entrada maravilhosa, ao lado do rio Betari com 4m de altura e 7 de largura. Vale salientar que ali pertinho, no município de Eldorado (Parque Estadual Jacupiranga)  existe a Gruta da Tapagem ou Caverna do Diabo, a maior do Estado de São Paulo e conhecida mundialmente.

O Parque é dividido em duas áreas principais de visitação, denominados de Núcleos Santana (setor sul do parque) e Caboclos (setor norte). A partir destes centros, foram elaborados roteiros de visitação, os quais são acompanhados por guias locais e funcionários do paque.

Além desse rico patrimônio natural, a região tem várias opções para a prática de esportes radicais e, guarda igualmente um variado acervo cultural, como o Núcleo Histórico de Iporanga, inúmeros sítios arqueológicos e ruínas ligadas à mineração do ouro, assim como também a singular cerâmica folclórica Apiaí, há importantes manifestações de caráter religioso, como a festa do Divino Espírito Santo e a procissão fluvial de Nossa Senhora do Livramento, onde a imagem da Santa é colocada em uma embarcação descendo 8km do rio Ribeira até Iporagy.

 

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