Por Amanda Sayeg | Tradução: Lucas Veiga

Anualmente, indústrias latino-americanas quebram recordes com um rico e diversificado mercado liderado por países como Argentina, México, Brasil, Colômbia e Chile com filmes de sucesso como The Distinguished Citizen, de Gaston Duprat e Mariano Cohn; Perfect Strangers, de Paolo Genovese; Aquarius, de Kleber Mendonça Filho; Between Sea and Land,  de Carlos Del Castillo; e Neruda, de Pablo Larraín. Apesar da intensa crise política e econômica, as produções locais têm crescido e os filmes artísticos tem se destacado em festivais por todo mundo. Aqui nos Estados Unidos, o cenário também é brilhante, porém a falta de diversidade na indústria americana está contribuindo para a perda de relevância de seus produtos, abrindo espaço para o conteúdo internacional.

No entanto, mesmo com um cenário tão favorável, parece difícil competir contra os blockbusters norte-americanos. O mercado convencional ainda está fortemente concentrado e dominado por Hollywood. Isso é facilmente constatado em números de bilheteria. Nesse cenário, talentosos cineastas, produtores e atores como Guillermo del Toro, Alejandro G. Iñárritu, Sofia Vergara, Zoe Saldana, Ernesto Derbez e José Padilha encontram nos EUA a estrutura para prosseguir uma carreira que não parece rentável em seus países de origem.

Enquanto o mercado internacional se tornou uma importante fonte de renda para Hollywood, os filmes latino-americanos recebem distribuição muito limitada. Você raramente vê um filme colombiano na Venezuela, um filme peruano na Colômbia ou um filme chileno na Guatemala. E uma vez que é quase impossível assistir a esses filmes fora das exibições dos festivais, é difícil para os cineastas venderem ingressos suficientes para recuperar seu investimento.

Embora o interesse em filmes locais esteja aumentando consideravelmente, eles ainda não trazem o público suficiente para seus cinemas, e apenas alguns deles estão sendo distribuídos fora de seus próprios países. As comunidades abraçarem seus artistas locais pode ser o primeiro passo de um processo maior de conquista em toda a comunidade que se expande globalmente, o que, finalmente, dará dando voz aos artistas que agora estão se tornando relevantes e competitivos como os gigantes em Hollywood. No entanto, as comunidades locais precisam continuar a celebrar o sucesso dos artistas latinos e estes precisam continuar a promover e abraçar a voz da próxima geração.

 

 * Amanda Sayeg é diretora e produtora, e apaixonada pelas artes, procura fazer a diferença criando um trabalho original e inovador. Seu desejo de prosseguir carreira na indústria do cinema a levou para Los Angeles. Ela acredita que os filmes são a maneira mais poderosa de alcançar pessoas, se conectar e mudar vidas.

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