Desde o início de 2018, o dólar já acumula avanço de mais de 22%. A tendência de alta, que havia perdido fôlego a partir de junho, voltou em agosto em meio às incertezas eleitorais e ao cenário externo menos favorável, fazendo o dólar saltar do patamar de cerca de R$ 3,70 para o atual de R$ 4. Durante a terceira semana de agosto, entre segunda-feira (13) e sexta-feira (17), a moeda teve baixas e altas, mas sempre com uma média de R$3,90 ao final do dia.

Na última semana de agosto, o dólar continuou a subir e no meio da semana alcançou o patamar de R$4,20, surpreendendo investidores. Com isso, o Banco Central interviu anunciando um contrato de swaps cambiais extraordinário (venda futura da moeda norte-americana) de US$ 1,5 bilhão.

Na última cotação do mês, na sexta-feira (31/08), porém, o dólar sofreu queda depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Brasil decidiu incluir na pauta da sessão da sexta-feira o julgamento do registro da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e após alívio com a situação da Argentina.

O dólar recuou 1,78%, a 4,0724 reais na venda, fechando agosto com valorização de 8,46%. É o maior avanço para um mês desde o acréscimo de 9,33% em setembro de 2015. Na semana, a moeda cedeu 0,78%. Nesta sexta-feira (31), o dólar oscilou entre a mínima de 4,0562 reais e a máxima de 4,1781 reais.

E a volatilidade do mercado é influenciada, no Brasil, diretamente pele cenário político próximo às eleições. De acordo com a pesquisa mais recente sobre as intenções de voto para presidente, Lula tem 37,3 por cento de votos, seguido por Jair Bolsonaro (PSL), com 18,8 por cento, Marina Silva (Rede), com 5,6 por cento, Alckmin (PSDB), com 4,9 por cento, e Ciro Gomes (PDT), com 4,1 por cento. O mercado avalia que Alckmin é mais comprometido com reformas que considera necessárias ao ajuste fiscal do Brasil, ou seja, não agrada ao mercado o fato de o candidato Geraldo Alckmin continuar estagnado nas pesquisas, mesmo após a aliança com um partido de centro-direita.

Porém o candidato do PSDB, preferido do mercado por seu perfil reformista, ainda não conseguiu decolar nas pesquisas de intenção de voto e essa apatia e a possibilidade de um segundo turno com o PT fizeram os investidores reprecificarem recentemente o dólar para acima de 4 reais.

Com a disparada do dólar, os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 1,731 bilhão em julho deste ano, uma queda de 7,87% frente ao mesmo mês do ano passado, quando as despesas fora do país somaram US$ 1,879 bilhão, informou o Banco Central (BC) nesta segunda-feira (27). É o segundo mês consecutivo de queda nas despesas de brasileiros no exterior na comparação com o mesmo mês de 2017.

De janeiro a julho, as despesas de brasileiros que viajaram para fora ficaram em US$ 11,304 bilhões, ainda registrando alta de 5,8% em relação ao mesmo período de 2017. A queda nas despesas no exterior ocorreu no meio de um cenário de forte alta da moeda dos EUA– fator que torna as viagens ao exterior mais caras. A variação da moeda tem reflexo no valor de hotéis e de passagens, por exemplo.

Para o especialista Fernando Bergallo, os interessados em viajar para o exterior, como por exemplo, do Brasil para os Estados Unidos, devem realizar compras de dólar em partes. “Para quem irá viajar para os EUA ou precisa realizar operação de câmbio em moeda estrangeira a recomendação é sempre fazer em partes, para conseguir um preço médio. Deste modo, o investidor ou turista não pegará nem a pior cotação, nem a melhor”, afirmou a um jornal brasileiro.

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