Por Lindenberg Junior

Em 1978, Dadi Janki, Co-diretora mundial da Brahama Kumaris (Universidade Espiritual com sede na Índia e mais de cinco mil centros espalhados pelo mundo) e criadora da Fundação Janki de Pesquisas para Saúde Global, foi submetida a um teste na Universidade do Texas, no qual ficou conhecida como “a mente mais estável do mundo” em virtude das suas ondas cerebrais não terem se alterado mesmo em situações extremas.

Naquele ano, quando fez os testes, ela quase não falava inglês e mesmo não entendendo as perguntas, conseguiu dar as respostas certas. Segundo ela, graças a maravilha da mente e seu poder de estabilidade, foi que, mesmo não conseguindo entender a língua, ainda assim uma pessoa é capaz de criar um estado de felicidade estável internamente.

Em sua passagem pelo Brasil, anos depois, mais precisamente em São Paulo, em sua palestra “Mente Estável, Vida Feliz”, no Memorial da América Latina, aos 86 anos, com 60 deles dedicados ao estudo espiritual e a pratica da meditação, Dadi Janki nos encantou pela pureza e consciência do seu discurso.

“Quem quer felicidade? Do coração. Uma felicidade que ninguém seja capaz de roubar de vocês. Porque se tem alguma coisa que me faz infeliz no mundo é essa felicidade ser roubada. Por exemplo, quando o corpo fica doente, a felicidade desaparece. Em termos de relacionamento, se alguém morre, a felicidade desaparece. Se a riqueza desaparece, a felicidade vai com ela”, nos disse a mestra e guru.

Ela nos disse que, hoje em dia, os seres humanos, mesmo em estado de abundância, com riqueza, saúde, amigos, etc, ainda assim buscam pela felicidade. “Nós deveríamos ter essa felicidade de forma que ela permaneça intacta. Sinto que se não há felicidade, isto vem pela falta de entender certas coisas primordiais. A felicidade está dentro de você. Eu posso ter automóveis, mansões, muitas coisas. Posso pensar que sou a pessoa mais feliz do mundo, que não existe ninguém mais feliz do que eu. Porém se essas coisas desaparecem da minha vida, minha felicidade também desaparece”.

A iluminada guru nos disse que a felicidade traz grande poder e esse poder interno é, por si só, a grande felicidade. Nos disse que o ser humano é capaz de entender o que é caridade, o que é pecado, o que é verdade, o que é falsidade, o que é certo e o que é errado. E que hoje em dia as pessoas não têm vergonha de falar mentira e que, na verdade, elas tem vergonha de falar a verdade.

“É por causa dos nossos desejos e apegos que existem mentiras e roubos pelo mundo. Não somos capazes de tolerar ouvir alguém ser elogiado sem criticarmos aquela pessoa. Não somos capazes de tolerar nossos amigos prosperarem e nós não. Se esses são os tipos de pensamentos e ações que os seres humanos têm, então o que esperar das pessoas hoje em dia? Eu sempre coloquei como prioridade ter minha mente estável para manter o que muitos chamam de felicidade. A coragem e a fé são aliados da verdade. Isto tem me trazido muita felicidade”.

A guru mencionou uma frase que deixou todos congelados por um momento e se sentia um silêncio profundo no auditório:

          “Caráter é quando falamos a verdade, mesmo quando não nos beneficia”

Ela nos disse também que paz, amor e felicidade são seus direitos de nascimento, mas para experimentar dessas três qualidades em sua totalidade precisamos ter pureza. “Deixe-me ter a verdade, pureza nos meus pensamentos e humildade nas minhas ações. Todas essas coisas trazem força e estabilidade para a mente. Uma mente forte como uma montanha”.

E complementou, “a natureza nos ensina muitas coisas. Visualize os oceanos. Se mergulharmos profundamente nesse oceano, seremos capazes de encontrar os seus tesouros. Da mesma forma, entrar na profundeza do conhecimento espiritual o tornará capaz de experimentar toda essa riqueza.

Uma de minhas tantas anotações nesse dia e uma das quais termino esse artigo, foi quando ela nos disse que precisamos ser tão fortes como as montanhas para não deixar que as situações e os problemas que surgem transformarem pequeninas sementes de mostarda em grandes montanhas.

“Às vezes ficamos pensando repetidamente sobre alguma coisa. Um capricho, uma perda material ou um incidente bobo, que faz com que fiquemos nos remoendo por dentro por dias, meses ou anos. Se eu fosse um médico eu te passaria como receita que você busque ter uma mente mais estável. Talvez um bom começo seja a prática contínua da meditação. Tente também praticar o desapego. E lembre-se sempre: a felicidade está dentro de você”.

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