Um tiroteio em massa ocorrido na cidade de Suzano, em São Paulo, na manhã da quarta-feira (13) chocou o Brasil e repercutiu no mundo inteiro. Dois adolescentes e ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil invadiram o local e abriram fogo contra várias pessoas.

Até o momento, autoridades registraram ao menos dez mortes em decorrência dos tiros e também há feridos. Os atiradores, disse a polícia, cometeram suicídio após a ação. As vítimas fatais são cinco estudantes do ensino médio, duas funcionárias da escola, o dono de uma locadora de veículos, e os dois atiradores.

Os ex-alunos que abriram fogo contra os inocentes foram identificados como Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos. Eles entraram na escola um revolver calibre 38, um arco e flecha, uma besta (artefato que dispara flechas), e ao menos um machadinho.

O secretário de educação de São Paulo, Rossieli Soares, disse em entrevista coletiva que a escola Raul Brasil estava aberta para ex-alunos que quisessem retornar e visitá-la, mas foi surpreendida pelo ataque. Segundo ele, o adolescente Guilherme Taucci Monteiro, um dos autores do crime, estudou na escola durante dois anos e era um “aluno quieto”, que não apresentava “maiores problemas”

O acesso de Guilherme Taucci Monteiro ao colégio teria sido pelo contato com a coordenadora pedagógica, a primeira vítima. Camilo Pires de Campos diz que os dois jovens tentaram entrar no centro de línguas, onde estavam dezenas de alunos, mas não conseguiram entrar.

Os atiradores Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos.

Ainda há feridos internados em hospitais de São Paulo, ao menos sete pessoas, uns passaram por cirurgias, outros já se encontram fora de perigo. Os corpos das vítimas fatais serão encaminhados ao Instituto Médico Legal de Suzano e de Mogi das Cruzes. A Prefeitura de Suzano montou um espaço de acolhimento aos familiares das vítimas na Associação Cultural Suzanense Bunkyo, no centro da cidade.

O Ministério Público (MP) de São Paulo vai apurar se uma organização criminosa na internet está por trás do massacre, além disso linhas de investigação também já são investigadas e sigilo.

Um promotor do júri e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ambos do Ministério Público, querem saber se Guilherme e Luiz Henrique foram incitados ao crime na escola por membros do fórum Dogolachan na “deep web”, um segmento da internet que não pode ser encontrado por buscadores como o Google e favorece o surgimento de redes e sites anônimos.

Informações preliminares da polícia indicam que Guilherme e Luiz premeditaram o crime, planejando ele por mais de um ano, e ainda pretendiam matar mais pessoas do que as 13 vítimas fatais do massacre de Columbine, ocorrido em 1999 nos Estados Unidos.

Apesar de chocantes, massacres em escolas são notícias frequentes no noticiário global, acontecem por meio de disparos com armas de fogo e até mesmo incêndios intencionais. Além disso, esse tipo de crime faz vítimas de todas as idades, crianças, adolescentes e adultos.

Dada à gravidade do ocorrido em Suzano, o caso repercutiu no mundo inteiro minutos após a notícia sair no Brasil. No Reino Unido, o site da rede britânica BBC, além de noticiar o massacre em Suzano, informou que o último caso grande de ataque a uma escola no Brasil aconteceu em 2011, quando 12 alunos foram mortos num colégio em Realengo, no Rio de Janeiro.

A BBC citou ainda que Jair Bolsonaro, “que assumiu o cargo em janeiro, assinou um decreto que torna mais fácil para os cidadãos cumpridores da lei terem uma arma, uma importante promessa de campanha, apesar de muitas restrições ainda permanecerem em vigor”.

A revista norte-americana Time destacou que o Brasil tem a maior taxa de homicídios no mundo, mas que tiroteios nas escolas são raros. Também nos Estados Unidos, o The Washington Post citou o massacre de Realengo, no subúrbio do Rio de Janeiro, em 2011 – quando um adulto (23 anos) efetuou mais de 60 disparos e matou 12 crianças na escola municipal Tasso da Silveira.

Na Espanha, o El País afirmou que o “Brasil acaba de sofrer um desses assassinatos tão frequentes nos Estados Unidos”. O veículo recorda o ataque em Realengo, no Rio de Janeiro, quando 12 alunos foram mortos.

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