Por Sanda Lobo

Daqui da minha janela, que dá uma vista noturna belíssima para a Disneyland, em Anaheim, Califórnia, com suas luzes e fogos de artifício, eu fico imaginando como está este meu Brasil. O dólar que supera os três reais, a violência urbana, o mercado de trabalho escasso e a miséria que rola solta. Razões que fizeram e continuam fazendo com que muita gente saia do país em busca de novas oportunidades, certo? Certíssimo! Inclusive esta que vos escreve.

É verdade. Lembro bem da minha chegada ao aeroporto de Chicago, há três meses, para pegar um voo doméstico rumo a Los Angeles, ou simplesmente, como se diz por aqui, “L.A”. A. Mala na mão, um objetivo na cabeça, e muita, mas muita coragem e disposição para enfrentar a barra que, já sabia, não seria muito fácil.

A primeira impressão, dizem, é a que fica. E a minha, foi de um misto de admiração e espanto quando me deparei com as inúmeras limusines circulando, a escada rolante quilométrica, e uma espécie de “metrô”. Meios de transporte que me levariam até o outro lado desse gigantesco aeroporto de Chicago e onde eu deveria tomar meu voo doméstico e terminar de seguir meu caminho rumo minha sonhada aventura na Califa!

Hoje, devidamente “arreglada”, como dizem meus novos amigos mexicanos, com um emprego e um lugar para morar, eu consigo perceber porque os americanos são a primeira economia do mundo. O respeito pelas leis, o profundo senso de cidadania e a vontade de trabalhar e crescer são uma constante para este povo que sempre tem uma bandeira americana à mão para colocar na janela do carro ou na porta de casa, e no caso de muitos que vivem no Sul da Califórnia, a dos “Lakers”, também.

O outro lado desta estória é: sinto saudades. Não tenho nem um pouco de vergonha em dizer isso. Sinto saudades da família e da minha casa, dos meus amigos e do meu São Paulo querida, e com tudo o que Sampa tem de bom para oferecer.

Hoje, aqui em Anaheim, tivemos um dia belíssimo de sol. Um dia que faz com que você tenha vontade de sair e ver a pessoas. Foi o que fiz. Peguei a minha bicicleta e segui pedalando até a praia. Uma tirada de Anaheim para Huntington Beach, um dos paraísos do Surf Californiano. Mas segui com vento no rosto em um dia ensolarado pela Beach Blvd. Sol gostoso, temperatura gostosa e céu azul. Tirei meu tênis, sentei na areia e fiquei observando a praia. Caraca, quanta gente bonita meu! Em Orange County ou “O.C” você ver muito gringo/a de estereotipo “Califórnia”. Muita loira bonita e os gatos, nem se fala. Sem muito crowd como nas praias do nosso litoral, mas um super astral.

Nenhuma música, nenhuma agitação. Nenhum futebol na areia, nenhum vendedor de amendoim ou bronzeador. Nenhuma pessoa saboreando uma boa caipirinha ou aquela loira gelada – por aqui não se pode beber na praia, que pena! E é destas coisas tão simples, dessa vibração tão boa quanto brasileira que sinto falta. Coisas que a gente só percebe quando está distante.

Mas estes tempo de Copa do Mundo (fomos penta em 2004!) ajudaram a amenizar as saudades. Na hora do “vamos ver”, a galera se reunia para aquela cervejada e dá-lhe Brasil Pátria Amada de chuteiras! O que me leva a seguinte conclusão: sou mais brasileira do que nunca aqui na terra do “Tio Sam”. E, sem dúvida, a bandeira verde-amarela pendurada na parede do meu quarto, olhando pra mim, já diz tudo: “Aqui mora uma brasileira!”.

*Sandra Lobo é jornalista e foi editora assistente da Soul Brasil magazine entre 2004 e 2006. Após alguns anos vivendo no Sul da Califórnia, onde aprendeu inglês e também espanhol, ela seguiu seu destino e visitou diversos países entre Europa e Ásia, ate voltar a se estabelecer novamente em São Paulo.

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