No dia 23/06 o governo Trump revelou seu plano de como pretende reunir crianças separadas de seus familiares. De acordo com a Secretaria de Segurança Doméstica dos Estados Unidos, foram adotados mecanismos de identificação para assegurar que os integrantes de cada família saibam a localização das crianças e consigam se comunicar com elas. A medida é uma tentativa de acalmar os críticos da política de tolerância zero, adotada desde abril.

Até a segunda-feira (25), 522 menores já haviam sido reunidos com seus pais. Na quarta-feira (27,) um juiz federal ordenou que o governo americano reúna as famílias no prazo máximo de 30 dias, se as crianças forem maiores de 5 anos, e 14 dias, ou se forem menores de 5 anos de idade. O juiz Dana Sabraw, de San Diego, determinou que as crianças imigrantes separadas sejam devolvidas aos pais, ou seja, não podem permanecer sozinhas em abrigos.

Indicado pelo ex-presidente George W. Bush, Sabraw também exigiu que o governo fornecesse contato telefônico entre os pais e seus filhos dentro de 10 dias. À imprensa o juiz declarou “os fatos perante o tribunal descrevem respostas reativas para lidar com uma circunstância caótica que o próprio governo Trump criou. Eles acreditam que um governo medido e ordenado é fundamental para o conceito de devido processo consagrado em nossa Constituição”. Ainda complementou “a infeliz realidade é que, sob o atual sistema, as crianças imigrantes não são avaliadas com a mesma eficiência e precisão que a propriedade, e isso certamente não pode satisfazer os requisitos do devido processo”.

Em uma declaração também à imprensa, Lee Gelernt, advogado líder no caso da associação de direitos civis da organização não lucrativa e de defesa dos imigrantes, ACLU, elogiou a ordem do juiz: “esta é uma grande vitória e significará que esta crise humanitária está chegando ao fim. Esperamos que a administração Trump não pense em apelar quando as vidas dessas crianças estiverem em jogo”.

Mais de 2300 crianças imigrantes foram separadas de seus pais depois que o governo de Donald Trump iniciou uma política de “tolerância zero” no início de maio, buscando processar todos os adultos que cruzaram a fronteira ilegalmente, incluindo aqueles que viajam com crianças. Depois de um mês cumprindo duramente esta política, o presidente Trump emitiu uma ordem executiva para acabar com as separações familiares no dia 20 de junho e, segundo o governo, foi possível reunir cerca de 500 famílias, mas ainda há cerca de 2.000 crianças esperando para reencontrar os pais.

O Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) colocou informações em todas as suas unidades para pais que estão tentando localizar seus filhos. Eles devem ligar para uma central telefônica e, depois, o ICE e o departamento de Saúde e Serviços Humanos coordenam o reencontro.

A Política de Tolerância Zero de Trump

A política de tolerância zero foi anunciada em abril pelo procurador geral Jeff Sessions, que determinou que todos os que atravessam ilegalmente a fronteira com o México deveriam ser denunciados e cumprir pena em prisões federais.

Seis semanas após a ordem ser emitida, 1.995 crianças haviam sido separadas dos pais, segundo dados da secretaria de Segurança Doméstica. Com o passar dos dias, começaram a vir a público fotos de crianças separadas dos pais, assim como áudios de menores chorando pelos pais e vídeos de crianças sendo transferidas, à noite, para abrigos.

A comoção internacional provocada pela medida fez com que o presidente Donald Trump recuasse e assinasse uma ordem executiva (espécie de decreto) para manter as famílias unidas.