ICE, o serviço de aduanas e imigração dos EUA, planeja ataques em massa em cidades santuário onde há supostamente concentrações de indocumentados na Califórnia. O plano contemplaria o envio de mais agentes de imigração de outras partes do país para participar de uma grande operação focada na área da Baía de São Francisco no norte da Califórnia, podendo incluir áreas ao sul da Baía até o Silicon Valle, de acordo com informações da mídia local que vieram à tona no dia 19 de janeiro (2018).

San Francisco, a cidade santuário que irritou o presidente Donald Trump depois de exonerar um mexicano indocumentado por assassinato, cujo caso gerou polêmica, seria alvo da maior invasão de ICE até agora. Especula-se que o plano é deter cerca de 1500 imigrantes indocumentados – com prioridade para os que tenham antecedentes criminais, mas incluindo mesmo aqueles que não tenham antecedentes.

A previsão é que essa nova operação do ICE deve ser colocada em prática nas próximas semanas (entre o fim de janeiro e o mês de fevereiro) e se concentrará na área da Baía de São Francisco, assim informou um funcionário do jornal San Francisco Chronicle que não quis se identificar. A região abrange nove municípios no norte da Califórnia e é uma área que se estima ter 600 mil pessoas indocumentadas.

Desta forma, o governo Trump tenta enviar uma mensagem forte, alertando sobre as ações que assumirá para impor leis de imigração na Califórnia, que desde 01 de janeiro se tornou um estado santuário. Este plano inclui o envio de mais agentes de imigração de outras partes do país para participar da operação que levaria mais de um dia e que pretender passar um “pente fino” em empresas que contratam imigrantes sem autorização de trabalho.

Embora os alvos sejam indocumentados com registros criminais e ordens de deportação, o ICE não descarta aumentar esses números com as chamadas “detenções colaterais”, que ocorrem quando algumas pessoas acabam presas sem estarem na lista negra, de acordo com a mesma mídia.

James Schwab, porta-voz do ICE em San Francisco, disse em um comunicado de imprensa enviado à rede de TV latina Univision: “Não podemos especular sobre futuras operações”. No início de janeiro, o diretor interino da ICE, Thomas Homan, advertiu que estava preparando um plano para “aumentar significativamente” o número de agentes que procuram criminosos indocumentados em bairros e locais de trabalho na Califórnia. “Nós estaremos em todos os lugares. Eles estão prestes a ver muitos agentes especiais e vários agentes de deportação”, disse Hornan na ocasião.

O chamado “Securities Act” – ou a lei SB54 – foi assinado pelo governador Jerry Brown em outubro de 2017 como um revés para a administração Trump, ao proibir a polícia local de investigar o status de imigração das pessoas ou participar de ações federais contra os imigrantes indocumentados. Além disso, a lei assinada pelo governador da Califórnia proíbe o compartilhamento de informações com o ICE ou a transferência de detidos que foram condenados por uma ou mais ofensas de uma lista de 800 delitos menores.

Para o funcionário, essa falta de cooperação libertou pessoas perigosas e indocumentadas. A verdade é que o ICE parece estar em uma nova frente: em 10 de janeiro, dezenas de agentes apareceram em 98 lojas da rede de franquias 7-Eleven em vários estados do país à procura de funcionários sem permissões de trabalho. Essa operação resultou em 21 pessoas detidas.

A agência  de imigração e aduanas dos Estados Unidos indicou que fará mais auditorias e investigações, sem se limitar a grandes empresas ou se concentrar em qualquer setor específico. Desde o início da administração do Trump, as investidas de ICE na Califórnia se concentraram especialmente em Los Angeles.

A última grande operação na área de São Francisco até o fim de 2017 aconteceu em junho resultando em 54 detidos, a maioria dos quais (16) foram condenados por dirigir sob a influência de álcool ou drogas (DUI), por delitos relacionados a drogas (7) e violência doméstica (6). O representante/deputado federal por Califórnia, Gil Cedillo, conhecido por seu longo combate em prol da defesa dos indocumentados, enfatizou que as resoluções aprovadas pelo governo da Califórnia comprovam o “poder” dos municípios e esse estado em proteger os imigrantes indocumentados, independentemente do seu status ou da política da Casa Branca.

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