Pelo menos 463 imigrantes que atravessaram ilegalmente a fronteira dos EUA nos últimos meses foram deportados para seus países de origem sem os filhos, que foram separados dos pais e continuam em abrigos espalhados pelo país.

A informação que chocou o mundo consta em um relatório apresentado à Justiça pelo governo de Donald Trump na terça-feira (24). De acordo com o documento, os dados de 463 casos indicam que “o adulto não está nos EUA”. O número se soma aos 12 casos já identificados de deportação (para crianças com menos de cinco anos de idade), chegando a um total de 475.

Cada uma dessas famílias atravessou unida a fronteira dos EUA com o México, mas foram detidas e separadas pelas agências de imigração devido à política de “tolerância zero” do governo Trump. Esta política estabelece que todo adulto que for pego atravessando a fronteira ilegalmente deve ser criminalmente processado. Se for capturado, o indivíduo é levado a um centro federal de detenção de imigrantes até que se apresente a um juiz e suas crianças, a abrigos administrados pelo governo.

Ao serem separadas de seus pais, as crianças são designadas pelo governo como “crianças imigrantes desacompanhadas” e, por isso, são levadas para abrigos sob custódia do governo, sem saber para onde seus pais foram. Há poucas semanas, imagens que circularam o mundo mostraram crianças dentro de grades, dormindo em colchões no chão com cobertores de alumínio, o que gerou revolta e críticas negativas sobre Trump.

No Congresso, a oposição democrata denuncia a medica como uma prática “diabólica”. “Eles chamam isso de ‘tolerância zero’, mas seria mais correto chamar de ‘humanidade zero’, e não há lógica para esta política”, declarou o senador Jeff Merkley (Oregon), que lidera um grupo de legisladores democratas que visitou a fronteira.

Com esta prática, pelo menos 2.654 crianças foram separadas dos pais e enviadas a abrigos desde abril. Após a péssima repercussão da ação, Trump suspendeu a prática em junho e prometeu reunir as famílias. Desde então, 879 famílias foram reunidas. Outros 538 pais devem ter os filhos de volta até quinta-feira (25). Entre essas crianças, ainda há 15 brasileiros, segundo o Itamaraty.

Centenas de voluntários estão envolvidos no esforço de reunificação das famílias, que inclui a oferta de acomodação temporária, passagem aérea e outras formas de assistência. Mas os processos de deportação pela entrada ilegal continuam em andamento e levaram à saída de alguns pais do território americano sem os filhos.

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