A incerteza com as eleições de outubro no Brasil e a perspectiva de aumento dos juros nos EUA já provocam volatilidade no mercado de câmbio. O cenário externo fez a moeda americana se valorizar em relação às moedas de países emergentes e desde o início da semana, o dólar tem fechado em forte alta.

Do início ao final de abril o dólar fechou com mais altas que quedas e, na terceira semana desse mês, a moeda chegou a R$3,45 surpreendendo até especialistas em economia. Na última semana de abril, a moeda continuou a subir e chegou aos R$3,50, marcando a maior cotação desde dezembro de 2016. Só neste mês, a moeda acumulou alta de 5,2% em relação ao real.

O comportamento da moeda norte-americana desde o início do ano — que, na visão de analistas, deve durar mais algumas semanas — é influenciado pela alta dos Treasuries de 10 anos. No final de abril, o rendimento dos títulos subiu 3%, uma barreira que não era superada nos últimos quatro anos.

A alta do dólar nos últimos dias é um fenômeno global. A moeda vem sendo pressionada pelos títulos do Tesouro americano. O Treasuries de 10 anos é considerado um dos papéis mais importantes das finanças globais. A taxa de juros associada a ele — chamada de “yield” pelos agentes do mercado — reflete quanto estão cobrando os investidores para emprestar ao governo americano. Os “yields” vem avançando por causa da expectativa de que o aquecimento da economia dos EUA é maior do que se imaginava, o que levará o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a acelerar o ritmo de elevação de sua taxa de juros básica.

Quando se olha o desempenho das demais moedas de emergentes ou de outros países exportadores de commodities, no entanto, o real tem desempenho mais fraco. Entre janeiro do ano passado e abril deste ano, a moeda brasileira só não se desvalorizou mais em relação ao dólar que a lira turca, em uma cesta de 21 moedas.

Nesses momentos decisivos e oscilantes do mercado financeiro uma pergunta paira no ar: o dólar vai continuar a subir? Na verdade, por mais que se especule, nunca se sabe com certeza. O que sabemos mesmo é que a relação entre o dólar e o real reage à política monetária americana, à situação global, às pesquisas eleitorais, às exportações e às importações, ao estresse (que, por definição, é inesperado) e a um sem-fim de fatores.