O vendaval nas ações da Petrobrás, a percepção de aumento de risco político e a visão de acentuado enfraquecimento do poder de negociação do governo serviram de argumentos para investidores retornarem à segurança do dólar no mercado local. Com isso, nesta quinta-feira (24), a moeda americana quebrou uma sequência de três baixas e fechou com ganho de 0,62%, a R$ 3,6471.

Sinal do peso interno na reação de preço do câmbio doméstico, o real perdeu ainda mais (0,74%) em relação a uma cesta de sete moedas emergentes e de países exportadores de commodities. Enquanto peso mexicano, rand sul-africano e peso colombiano conseguiram reverter perdas de mais cedo e passaram a subir, o real se manteve em baixa.

A moeda brasileira revezava com o peso chileno o título de segundo desempenho nos mercados globais de câmbio. De longe, a lira turca liderava a lista de perdas, em baixa de 3,1%. Segundo analistas, a decisão da Petrobras de baixar os preços do diesel e de congelá-los por 15 dias abriu as portas para todo tipo de desconfiança do mercado com relação
ao futuro da condução da política macro. E também serviu de lembrete dos riscos ainda presentes relacionados às eleições.

A recente alta do dólar deve frear o crescimento nas despesas dos brasileiros no exterior. De acordo com o Banco Central, dados preliminares de maio apontam para uma alta moderada dos gastos na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em abril, os brasileiros gastaram US$ 1,54 bilhão lá fora. O número divulgado nesta quinta-feira (24) representa alta de 16% em relação ao mesmo período de 2017.

Na parcial do BC para as despesas até 22 de maio, o valor gasto com viagens estavam em R$ 867 milhões. De acordo com o chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, a alta do dólar trouxe um desestímulo para viajar. O mais interessante neste momento é aguardar uma maior estabilidade da moeda para planejar e colocar em prática aquela viagem tão esperada.