A incerteza com as eleições de outubro no Brasil e a perspectiva de aumento dos juros nos EUA já provocam volatilidade no mercado de câmbio. O cenário externo fez a moeda americana se valorizar em relação às moedas de países emergentes e desde o início da semana, o dólar tem fechado em forte alta.

Na segunda-feira (23), a moeda chegou a R$3,45 surpreendendo até especialistas em economia. Na quarta-feira (25), a moeda continuou a subir e chegou aos R$3,50, marcando a maior cotação desde dezembro de 2016. Só neste mês (abril), a moeda acumula alta de 5,2% em relação ao real. Nesta quinta-feira, o dólar comercial seguiu em alta, pela sexta sessão consecutiva, contra o real avançando 0,23% e cotado a R$ 3,494.

O comportamento da moeda norte-americana nos últimos dias — que, na visão de analistas, deve durar mais algumas semanas — é influenciado pela alta dos Treasuries de 10 anos. Só na terça-feira (24), o rendimento dos títulos subiu 3%, uma barreira que não era superada nos últimos quatro anos.

A moeda americana começou a quinta-feira caindo no câmbio local, acompanhando seu movimento em escala global em dia de trégua nos juros dos títulos públicos americanos, mas ganhou força no meio da manhã. Na visão de analistas, a incerteza quanto às próximas eleições é uma das hipóteses que explica o descolamento do câmbio local em comparação com a tendência externa.

A alta do dólar nos últimos dias é um fenômeno global. A moeda vem sendo pressionada pelos títulos do Tesouro americano. O Treasuries de 10 anos é considerado um dos papéis mais importantes das finanças globais. A taxa de juros associada a ele — chamada de “yield” pelos agentes do mercado — reflete quanto estão cobrando os investidores para emprestar ao governo americano. Os “yields” vem avançando por causa da expectativa de que o aquecimento da economia dos EUA é maior do que se imaginava, o que levará o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a acelerar o ritmo de elevação de sua taxa de juros básica.

Quando se olha o desempenho das demais moedas de emergentes ou de outros países exportadores de commodities, no entanto, o real tem desempenho mais fraco. Entre janeiro do ano passado e abril deste ano, a moeda brasileira só não se desvalorizou mais em relação ao dólar que a lira turca, em uma cesta de 21 moedas.

Nesses momentos decisivos e oscilantes do mercado financeiro uma pergunta paira no ar: o dólar vai continuar a subir? Na verdade, por mais que se especule, nunca se sabe com certeza. O que sabemos mesmo é que a relação entre o dólar e o real reage à política monetária americana, à situação global, às pesquisas eleitorais, às exportações e às importações, ao estresse (que, por definição, é inesperado) e a um sem-fim de fatores.