Por Laís Oliveira

O Dia Mundial de Luta contra a Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), criado em 1987, é lembrado nesta sexta-feira (01/12) e existe para alertar a todos para um dos maiores problemas de saúde pública, que já matou mais de 35 milhões de pessoas, 1 milhão delas somente em 2016.

Em boletim do Ministério da Saúde divulgado nesta sexta-feira, números desanimadores foram revelados: houve aumento de 4,1% no número de casos de HIV notificados em 2016 no Brasil. Foram 37.884 pessoas diagnosticadas com o vírus no ano passado, ante 36.360 em 2015. Atualmente, o país possui 830 mil pessoas portadoras do HIV. Dessas, 129 mil sabem que têm o vírus, mas não se tratam e 136 mil possuem o HIV, mas não sabem.

Os dados são um alerta para a doença entre adolescentes. A faixa etária com maior taxa de detecção foi a de homens de 15 a 19 anos, passando de 2,4 casos por 100 mil habitantes em 2006 para 6,7 casos em 2016. O aumento entre as meninas na mesma idade também foi acentuado: 3,6 casos para 4,1 por 100 mil habitantes na última década.

Apesar do triste aumento, a notícia positiva é que houve uma queda na mortalidade nos últimos dois anos, quando a taxa de óbitos por 100 mil habitantes passou de 5,3 por 5,2. Mas segundo o ministro da saúde, Ricardo Barros,  muitos portadores do HIV ainda não se tratam nem aceitam a medicação, mesmo após receberem o diagnóstico, por medo da discriminação e preconceito.

No grupo dos que descobrem a doença e escolhem se tratar, também houve resultados positivos: o tempo de início do tratamento após o diagnóstico caiu de 101 dias, em 2011, para 41 dias em 2016. Nesse período, o protocolo mudou para garantir antirretrovirais a todos os infectados, e não apenas aos que atingiam determinado nível de carga viral, como era antes.

O governo brasileiro também alertou, no boletim, para a forma de transmissão da doença, que cresce entre homens que fazem sexo com homens. Em 2016, 51,5% dos novos casos de HIV na população masculina com 13 ou mais de idade foram entre homossexuais. Essa taxa era de 32% em 2007.

Diante destes números, ainda nesta sexta-feira, foi lançada uma campanha de prevenção à Aids com foco nos jovens, que foi o grupo  que registou o maior aumento da doença nos últimos anos. Com o slogan “Vamos combinar? Prevenir é viver”, as peças que aparecerão na TV aberta e fechada contarão com clipe do grupo Dream Team do Passinho, que vai convidar a população a fazer o próprio passinho da prevenção.

Pablo Sebastian Velho, infectologista que trabalha há dez anos com pacientes soropositivos na Secretaria de Saúde de Santa Catarina, destacou que o programa brasileiro de tratamento de HIV é uma referência mundial. “Temos hoje os melhores medicamentos do mundo para oferecer aos pacientes, e gratuitamente”, revelou a um jornal local. Uma evolução no tratamento brasileiro, obtida ao longo dos anos, é a possibilidade de ser iniciado o tratamento já na primeira consulta, tudo para prolongar a vida do paciente e oferecer estabilidade em sua nova fase da vida.

Prevenir ainda é o melhor remédio

A principal arma existente hoje contra a transmissão de HIV no Brasil, considerando que a transmissão em larga escala é sexual, é o uso de preservativo. Mas em casos de violência sexual ou exposição de risco ocasional, há uma estratégia usada para evitar a transmissão chamada de Profilaxia Pós-Exposição. Nestes casos, a pessoa recebe um medicamento – como se fosse uma pílula do dia seguinte – que diminui a chance de se contaminar pelo HIV em unidades de saúde do país.

Mas o preservativo ainda é a melhor forma de proteção, no caso das relações sexuais. Deve haver, também, utilização de seringas e agulhas descartáveis e o uso de luvas para manipular feridas e líquidos corporais, bem como testar previamente sangue e hemoderivados para transfusão. Além disso, as mães infectadas pelo vírus (HIV-positivas) devem usar antirretrovirais durante a gestação para prevenir a transmissão vertical e evitar amamentar seus filhos.

É importante lembrar que somente em secreções como sangue, esperma, secreção vaginal e leite materno, o vírus aparece em quantidade suficiente para causar a doença. Para haver a transmissão, o líquido contaminado de uma pessoa deve penetrar no organismo de outra, ou seja, não se transmite Aids pelo toque, abraço e beijo, como era erroneamente falado nos anos 80 e 90.

Sintomas como febre, aparecimento de gânglios, crescimento do baço e do fígado, alterações elétricas do coração e/ou inflamação das meninges são detectados em casos graves da doença. Fazer exames periodicamente é de suma importância para a descoberta precoce do vírus.

Manter-se informado é a melhor forma de combater o preconceito com a doença. É válido lembrar, também, que a sentença de morte dada às pessoas que descobrem a doença hoje não existe mais. Muitas pessoas portadoras do vírus levam suas vidas normalmente, quando submetidas a tratamento correto, e devem ser respeitadas como qualquer outra pessoa.

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