Por Laís Oliveira

Dr. André Berger, Urologista

O câncer de próstata é o mais comum entre os homens em todo o mundo. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimou em 61 mil novos casos em uma população de 99 milhões de homens só em 2016. Nos Estados Unidos, a estimativa foi de 233 mil novos casos para uma população masculina de 159 milhões. Antes uma doença predominante em idosos, hoje esse tumor atinge homens cada vez mais jovens A prevenção ainda é a melhor forma de evitar o câncer e uma simples ida ao consultório pode ser determinante.

Como em todos os tipos de câncer, é necessário ficar alerta sobre o histórico familiar como fator mais importante num possível desenvolvimento da doença. Mas não é apenas isso, questões como a obesidade ou hábitos alimentares, como a ingestão de alimentos embutidos – linguiça, salsicha, presunto, entre outros -, estão sendo estudadas como possíveis fatores de risco.

A campanha do Novembro Azul, por exemplo, busca anualmente conscientizar os homens em diversos lugares do mundo sobre a importância da prevenção com exames anuais. Porém isto ainda é um tabu em alguns países ou motivo de vergonha que impede milhares de homens de ir a um consultório para realizar um simples e rápido exame de toque. Este “temido” exame retal pode detectar o tumor no estágio inicial e facilitar o tratamento, aumentando as chances de cura do paciente.

Muitos homens ainda têm dúvida sobre qual é o exame mais eficiente para detectar a doença, se o de sangue – conhecido como PSA – ou o do toque. Apesar de válido, o exame de PSA (Antígeno Prostático Específico) não basta para detectar de forma mais precisa o tumor, pois em 18% dos casos os níveis aparecem como normais. Desta forma, ainda que contra a vontade de muitos homens, devido a um preconceito sem fundamento ou resistência cultural, o exame de toque retal ainda é o mais eficiente para diagnosticar o câncer.

O médico André Berger é urologista e especialista neste tipo de câncer e um dos pioneiros  com especialização em cirurgia robótica para o tumor urológico. De Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mas residente nos Estados Unidos desde 2007, ele trabalha no departamento mais famoso do mundo em cirurgia robótica que fica na Universidade de Southern, na Califórnia, o mesmo local em que se formou como cirurgião robótico e atualmente leciona.

Sua história de sucesso na área médica começou na faculdade de Medicina na UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ainda no estado do sul brasileiro, André fez residência de Cirurgia geral e Urologia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Seu próximo passo determinou o sucesso de sua carreira: na Cleveland Clinic, em Ohio, um dos melhores hospitais do mundo, no final de 2007, ele participou de uma pesquisa em cirurgia robótica e laparoscópica urológica.  Sua participação em vários projetos de pesquisa inovadores e publicação de trabalhos em revistas científicas de grande impacto lhe renderam conhecimento como um dos pioneiros na área da cirurgia robótica para o tumor urológico.

Pesquisar, inovar e fazer a diferença em sua especialidade sempre foram prioridades em sua vida. Sua constante pesquisa e estudos na área robótica visam o sonho de todos os pacientes do mundo que travam uma luta contra o câncer: a cura da doença. E ela parece estar mais próxima a cada dia, “estamos trabalhando para que um dia o câncer tenha cura. Até lá, temos que usar as armas de que dispomos, e acredito que a cirurgia robótica é uma excelente arma. É um procedimento complexo, porém com cortes pequenos”, revela o médico.

A cirurgia robótica, seus custos e vantagens

Com tecnologia de ponta a favor da medicina, o tratamento contra o câncer ganhou, há poucos anos, uma nova aliada que facilita a remoção e cura do tumor urológico, a cirurgia robótica. Este tipo de cirurgia é feito com pequenos cortes no qual o cirurgião não está segurando os instrumentos necessários com suas próprias mãos para realizar os procedimentos.

Desta forma, os instrumentos cirúrgicos estão conectados a braços robóticos que, por sua vez, estão conectados a um console dentro da sala da cirurgia. Nesse console, o cirurgião permanece sentado com visão em 3D e joysticks que controlam os braços robóticos e instrumentos utilizados na cirurgia.

O uso da técnica robótica visa realizar cirurgias, mesmo de grande porte, por meio de cortes pequenos. Isso beneficia os pacientes com a diminuição de sangramento durante o procedimento,  a necessidade de transfusões sanguíneas, a dor pós-operatória, entre outros. Dessa forma, os pacientes retornam às suas atividades normais mais precocemente, com menos comprometimento em sua qualidade de vida.

Porém, para ter acesso a meios tecnológicos de ponta no tratamento contra o câncer, é necessário investimento financeiro. Por exemplo, no Brasil, inicialmente, para se ter a tecnologia do robô, é preciso um investimento alto, em torno de US$ 3,5 milhões para uma plataforma. Atualmente, no país, há 25 sistemas na área, em contrapartida, nos Estados Unidos, há cerca de 2.500.

Em dois anos estima-se que seja possível dobrar a quantidade de robôs no Brasil, o que já é um avanço significativo dadas as divergências financeiras entre os dois países e o investimento em pesquisa nesta área tão importante da medicina. A boa notícia é que André afirma que está trabalhando com médicos brasileiros de várias regiões como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte para desenvolver a cirurgia robótica no país, um futuro promissor para novos pacientes com a doença.

No que diz respeito a parcerias de grandes empresas com investimentos em pesquisas na área da saúde, ele é categórico: “Acho que os melhores cérebros devem trabalhar em conjunto para resolver os maiores problemas da humanidade, e o câncer é um deles. A colaboração multidisciplinar é fundamental”.

 

Facebook Comments

Share This