A vacina contra a zika que está sendo desenvolvida por cientistas do Instituto Evandro Chagas, em parceria com a Universidade do Texas em Galveston, nos Estados Unidos, mostrou resultados animadores em testes com camundongos, de acordo com um artigo científico publicado nesta segunda-feira, 10, pelo grupo na revista Nature Medicine.

De acordo com o diretor do Instituto Evandro Chagas, o virologista Pedro Vasconcelos, que é um dos coordenadores do estudo, a vacina produzida com o vírus vivo atenuado, com apenas uma dose, foi capaz de induzir o organismo dos camundongos a produzir anticorpos neutralizantes, protegendo-os da infecção.

“Subtraímos 10 nucleotídeos dessa região, o que foi suficiente para atenuar o vírus. O candidato vacinal ficou com 10 nucleotídeos a menos do que o vírus selvagem”, explica Pedro Vasconcelos.

Vários outros grupos estão desenvolvendo vacinas, mas todas elas se baseiam na utilização do vírus inativado, ou de fragmentos de DNA do vírus. Uma das vantagens de se utilizar o vírus vivo atenuado é que isso possibilita uma imunização eficaz com apenas uma dose.

Segundo Vasconcelos, neste momento os cientistas estão finalizando os experimentos com primatas, cujos resultados também serão publicados em um artigo científico. Depois da publicação, terão início os testes em humanos, que deverão durar alguns anos.

“Esperamos que no início de maio, no máximo, já tenhamos o artigo sobre os testes em primatas pronto para a publicação. Esses testes são a última fase antes de iniciar os ensaios clínicos em humanos, que esperamos iniciar já no segundo semestre deste ano”, explicou.

Testes em Camundongos

Os cientistas realizaram diversas baterias de testes para avaliar a segurança da vacina. Na primeira, para descobrir se a vacina produzia a própria doença, eles utilizaram dois grupos de camundongos – um deles foi inoculado com a vacina e outro com o vírus selvagem. A segunda bateria de testes serviu para avaliar se a vacina poderia causar danos ao tecido nervoso dos camundongos recém-nascidos.

Segundo Vasconcelos, também foram usados camundongos geneticamente modificados para morrerem quando são infectados com o vírus selvagem. Os cientistas inocularam o vírus nesses animais, e todos morreram.

“Um grupo de camundongos vacinados, porém, recebeu 30 dias após a imunização a mesma dose do vírus selvagem que havia sido letal para os animais não vacinados. Nenhum deles morreu, porque já tinham anticorpos. Mostramos que a vacina é inócua e que os animais, além de não morrerem, produziram anticorpos e não tiveram sintomas”, explicou o virologista.

Na última série de testes, os cientistas fizeram dois experimentos para investigar se o vírus atenuado da vacina é capaz de infectar o mosquito Aedes aegypti, que é o principal transmissor da zika.

No último experimento, os pesquisadores inocularam a vacina de vírus atenuado diretamente nos mosquitos. “Mesmo recebendo o vírus vacinal diretamente, nenhum dos mosquitos ficou infectado. Isso nos deu a certeza de que a vacina não infecta o Aedes aegypti com zika”, afirmou Vasconcelos.

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