Por Kátia Moraes

Cá estou eu aqui com o dançarino e coreógrafo Alexandre Magno que fala apaixonadamente sobre o que ele ama fazer nessa vida. Nos encontramos no Panera Bread Café, em Studio City (Los Angeles), para conversamos sobre as suas experiências desde que era dançarino da Companhia de Dança Carlota Portela até chegar a coreógrafo da Madona.

Ele adora contar sua história e posso sentir uma tremenda energia e alegria vibrando aqui na minha frente. “Minha família é muito simples e eu cresci na Vila Kennedy, um subúrbio do Rio de Janeiro”. Alexandre sempre gostou de dançar. “Quando eu era garoto eu fiz capoeira e karatê”. Ele também tinha um grupo de amigos que dançava em festas durante os anos 70. Era época do filme ‘Saturday Night Fever’ com John Travolta e eles copiavam todas as coreografias que viam nos filmes.

E foi em um concurso de dança que um dançarino profissional viu o grupo, reconheceu o talento dos meninos e recomendou um estúdio de dança em Cascadura (também no subúrbio do Rio). Foi lá que Alexandre aprendeu sua primeira lição: contar os passos. “Nos ajudaram a limpar a coreografia, adicionaram a roupa e acabamos atraindo mais garotos para a dança. Era a época de ‘Baila Comigo’ uma novela da Globo, e todo mundo queria aprender.” Eu lembro que meu pai ficou preocupado quando eu disse que queria dançar. Ele pensou que eu era gay”.

Muita coisa aconteceu depois daquele ano. A decisão de ser dançarino veio mesmo quando ele tinha 16 anos. Alexandre ouviu falar de um show chamado “Caos do Porto” da Companhia de Dança Carlota Portela. “Eu senti ali que era aquilo mesmo que queria fazer, e especialmente por causa das coreografias do Renato Vieira”. Ele ficou sabendo que o estúdio de dança do Renato era no Jardim Botânico. Pra se ter uma ideia da distância, Alexandre teve que pegar um ônibus, um trem e mais um ônibus. Mais ou menos 2 horas de viagem.

Mas valeu à pena. Depois da aula Renato conversou com ele e ofereceu uma bolsa de estudos. A partir daquele dia Alexandre estudou diariamente todos os tipos de dança. De balé a samba, de jazz a dança moderna. Depois de seis meses Alexandre ingressou na Companhia. Depois de um ano ele passou de corista a solista. “Eu progredi muito Rápido”, enfatiza.

Em 1986, Alexandre ganhou uma competição de coreografia que a Paramount lançou. Cada competidor teve que apresentar uma coreografia com uma música de um dos filmes da Paramount. Ele escolheu ‘Never do ‘Footloose’. O prêmio foi uma viagem a Los Angeles e uma apresentação no programa de televisão ‘Solid Gold.’ Foi a primeira vez que Alexandre viajou de avião. “Meu inglês era horrível… mas fui recebido de limusine e me chamavam de Mr.Magno”.

“Eu decidi tirar vantagem da viagem e consegui uma bolsa de estudos em uma das melhores academias de dança de Los Angeles. Depois de uma semana sendo tratado como rei, ele mudou para casa de um amigo brasileiro e dormiu no sofá durante duas semanas. Pulei de casa em casa até poder ter o meu próprio lugar. Meu primeiro trabalho foi como lavador de pratos”.

Alexandre casou e teve uma filha. Conseguiu seu Green Card e começou a trabalhar mais assiduamente como dançarino além de ensinar seu próprio estilo. O estúdio Debbie Reynolds gerenciado pelo Joe Bennett foi um dos estúdios que apoiou Alexandre. “Joe Bennett adorava a cultura brasileira quando soube que eu era brasileiro começou a falar português comigo”.

Muitos alunos de Alexandre dessa época vieram a fazer parte do show ‘All Collors of Persona’ (Todos os Tipos de Pessoas), criado e coreografado por Alexandre. A dançarina Carrie Ann Enaba, uma das juízas do programa ‘Dance With the Stars’ (Dance com as Estrelas), o ajudou a produzir o show com a ajuda de seu pai.

Como conseqüência ele começou a trabalhar com Kenny Ortega que coreógrafo muitos American Music Award Shows. Ele teve a oportunidade de dançar com Gloria Stephan and The Miami Sound Machine, Cher, Paula Abdul e finalmente com Michael Jackson. “Michael era meu Ídolo… foi por causa dele que milhares de meninos ao redor do mundo começaram a dançar”. Eu podia ter me tornado um vendedor de drogas mas ele me inspirou e mudou minha vida. Me lembro que a filha dele nasceu no dia que filmamos o vídeo “Blood on the Dance Floor.”

“Eu cresci rodeado por música e dança, e sempre comemorando a vida como qualquer brasileiro. Minhas tias foram “chacretes” do programa do- Chacrinha e toda semana a minha família se reunia pra tocar violão, cantar e dançar. A dança esta no sangue e parece que essa tradição vai continuar através da minha filha que é bailarina clássica.” Seu trabalho mais recente é ‘Noites de Fogo’ com o guitarrista Benise. Alexandre coreógrafo e co-dirigiu o espetáculo inspirado em música Flamenca.

Por sinal no dia dessa entrevista, ele estaria viajando em turnê pelos EUA. Perguntei a Alexandre qual era o seu sonho. “Meu sonho é fazer um filme chamado – O Vendedor de Sonhos, escrito por um amigo brasileiro chamado Douglas Whites (o Tourinho). Eu estou traduzindo o roteiro para vendê-lo aqui nos Estados Unidos. A história é baseada na minha vida e será filmada nos dois países. Para mias informações sobre Magno visite seu site oficial aqui.

* Kátia Moraes é uma talentosa artista carioca que vive em Los Angeles desde 1990. A cantora, compositora e artista plástica foi uma colaboradora importante nos primeiros anos da Soul Brasil magazine. www.katiamoraes.com