Uma pesquisa da Mintel revelou que mulheres latinas vivendo nos EUA se sentem sub-representadas no quesito beleza e cuidados pessoais. Mais da metade das entrevistadas disseram que gostariam de ver mais produtos, como cosméticos, feitos especialmente para elas e 64% gostariam que mais produtos para cuidados com o cabelo e pele fossem criados especificamente para seus biotipos.

“Pode ser uma tarefa muito difícil para as empresas atenderem às necessidades específicas de seus clientes latinos”, disse Leylha Ahuile, analista sênior multicultural da Mintel. “As latinas têm uma variedade de tons de pele e cabelos e, com isso, uma ampla gama de produtos deve ser desenvolvida para atender a todos os tipos de pigmentos corporais e capilares”.

Outro ponto da pesquisa, que aconteceu em 2016, revelou que as mulheres latinas estão especialmente preocupadas com a embalagem que seus produtos favoritos possuem. 81% delas relataram que gostariam de ver mais produtos para cuidados pessoais com embalagens bilíngues do que as que existem no mercado atualmente.

“Os consumidores latinos muitas vezes olham para embalagens bilíngues e enxergam uma maneira de serem reconhecidos e respeitados por uma marca. Não é porque eles são incapazes de ler em inglês, mas porque desejam ver sua língua mãe na embalagem”, observa Leylha Ahuile. “A falta de embalagens em espanhol tem o potencial de fazer com que essas mulheres se sintam ignoradas pelos fabricantes”. Possivelmente este pode ter siso um fator relevante se analisarmos a queda nas vendas desse nicho do mercado nos últimos anos.

As mulheres latinas são mais jovens do que a média da população feminina dos EUA, e 62% delas ainda não entraram na faixa etária de pico de consumo de cosméticos e produtos de beleza (35+). Como resultado, a empresa encarregada da pesquisa acredita que o poder de compra dos latinos está definitivamente em plena ascensão nos EUA e é preciso haver incentivo e respeito por todos os consumidores.

Hoje, a maioria dos imigrantes que chega aos EUA vem da América Latina ou da Ásia – uma grande mudança em relação a um século atrás, quando a maioria chegava da Europa.  De acordo com dados de 2017 do Hamilton Project – Departamento de Estatísticas do Trabalho – 27% dos residentes nascidos no exterior são do México, em comparação com menos de 2% em 1910. Outros 17% são de outros países da América Latina, incluindo El Salvador e Cuba.

É válido lembrar também que os imigrantes contribuem diretamente para o crescimento econômico – aumentando a população e a demanda por bens e serviços. Os imigrantes também tendem a ter um impacto positivo nas finanças dos EUA – pagando mais impostos do que recebem em serviços do governo, quando comparados aos profissionais nativos.

Há concentração de imigrantes latinos, por exemplo, em determinadas cidades e estados do país. A comunidade mexicana se concentra em Los Angeles, a cubana em Miami e a de Dominicanos e Porto-riquenhos em Nova York. E é também em Nova York que se concentra também o maior número de brasileiros – mais de 200 mil atualmente.

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