Lídia e seu filho Diogo, separados na fronteira em abril deste ano.

58 crianças brasileiras já foram localizadas pelo Itamaraty após serem separadas dos pais que entraram sem documentos legais nos EUA desde abril desse ano. Para atualizar este número, o Ministério das Relações Exteriores brasileiros divulgará um informe diário a partir de dados obtidos com os abrigos para onde estão sendo enviados os dados.

Entre estas crianças, um caso ganhou notoriedade nos EUA depois que sua história foi contada pelo jornal New York Times na edição do dia 24/06. Trata-se de Diogo, de 9 anos, brasileiro separado em 30 de maio de sua mãe, Lídia Karina Souza, na fronteira dos Estados Unidos com o México.

Lídia e Diogo se entregaram a patrulheiros em 29 de maio, alegando que tinham medo de voltar ao Brasil e desejavam obter asilo nos EUA. No dia seguinte, um agente, utilizando o tradutor do Google disse a ele que pelo fato de não ter se apresentado a uma alfândega, a entrada deles nos EUA era considerada ilegal, então, ela seria presa e o menino encaminhado a um abrigo.

Apesar do atual final feliz dessa história, ela é uma exceção já que o registro de crianças brasileiras distanciadas dos pais e detidas em abrigos tem aumentado. Luiza Lopes, diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior do Itamaraty, afirma que a duração e estrutura dos procedimentos legais que separam os pais dos filhos não permitirão uma queda brusca na liberação das crianças. Segundo ela, mais duas crianças podem sair até segunda-feira, e essa liberação pequena e espaçada deve continuar pelas próximas semanas.

Na terça-feira (26), o presidente Michel Temer aproveitou a visita do vice-presidente americano, Mike Pence, ao Brasil para tentar apressar a libertação das crianças brasileiras. Ele até ofereceu um avião para buscá-las, mas é preciso aguardar a burocracia norte-americana no caso, resultado da política de tolerância zero de Donald Trump.

Nesta sexta-feira (29), o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, afirmou que a viagem que fará aos EUA para acompanhar a situação dos menores será realizada na próxima quarta-feira.

A política de tolerância zero praticada pelo governo do presidente Donald Trump é responsável por separar mais de 2 mil crianças dos pais quando tentavam cruzar a fronteira do México para os EUA ilegalmente. Segundo essa política, todos os imigrantes que entram sem papéis no país são processados criminalmente e enviados a presídios. Como crianças não podem, pelas leis americanas, ficar em presídios, elas são enviadas a abrigos, que já recebiam menores imigrantes apreendidos quando chegavam ao país desacompanhados.

Na quarta-feira (27), um juiz federal ordenou que o governo americano reúna as famílias no prazo máximo de 30 dias, se as crianças forem maiores de 5 anos, e 14 dias, ou se forem menores de 5 anos de idade.  Leia mais sobre essa decisão aqui.