Você acredita em destino? Então conheça uma história que, após tantos “acasos”, se transformou em uma relação de amor que tinha tudo para não acontecer. A história é sobre dois atores e começou em um primeiro encontro ao acaso, durante a leitura de apresentação de um roteiro, em 2007. Na ocasião, foram apresentados por um amigo em comum, mas só voltaram a se encontrar dois anos depois.

Em 2009, eles estavam juntos no elenco de um espetáculo teatral e os quatro meses de convivência consolidaram a amizade.  Porém mais um obstáculo os separou nessa época: a atriz Carolina Fernandes morava no Rio de Janeiro e o ator Plínio Lopes era noivo e vivia em Vassouras, no interior do estado do Rio.

“Nos afastamos mais uma vez após a Bienal, mas o Plínio sempre vinha assistir as minhas peças. Um dia quando o convidei para um espetáculo musical que eu estava protagonizando ele disse que só viria se eu fosse primeiro à Vassouras conhecer sua escola de teatro e ministrar uma aula”, conta Carol, acrescentando que aceitou de imediato o convite.

Após algum tempo, os dois decidiram fazer um curso com o famoso autor brasileiro Aguinaldo Silva. Porém no dia da inscrição, mais uma vez o acaso (ou seria destino?) resolveu estreitar os laços entre eles. “Caiu um dilúvio horrível. Ficamos presos, num restaurante ao lado do teatro, por conta dos alagamentos durante horas. Aproveitamos o tempo para conversar sobre nossos projetos e, nesse bate-papo, acabou surgindo a vontade de montar juntos um espetáculo”, diz Plínio.

Na peça, Leila (personagem de Carol) era apaixonada por Saullo (personagem de Plínio). Os dois por conta da amizade e respeito um pelo outro, ou até mesmo por um sentimento enrustido, não conseguiam imprimir verdade às cenas mais quentes. “As pessoas comentavam que não conseguiam acreditar nesse casal, que tinha um bloqueio de ambas as partes”, explica Carol.

Com a peça em mãos e atentos às críticas do público, os atores resolveram ensaiar o máximo que pudessem: ensaiavam o texto enquanto corriam, quando estavam no trânsito, no ônibus ou em qualquer lugar em que estivessem juntos. Se entregaram nos exercícios para corrigir essa falha e a relação entre os dois foi ficando cada vez mais próxima. Eles decidiram levar adiante a sociedade e desenvolveram novos projetos em parceria. A afinidade dos dois era evidente.

Porém Plínio se recusava a admitir a paixão, pois estava mais uma vez comprometido. Eles nunca tiveram uma fase na vida que ambos estivessem solteiros. Sempre um ou outro estava namorando ou noivo de alguém.  Só que um novo e decisivo golpe do destino estava reservado para os dois. Eles foram convidados para o Festival de Teatro de Tiradentes, em Minas Gerais.

Quando chegaram à cidade descobriram que a organização do evento tinha reservado apenas um quarto para os dois e que só tinha uma cama de casal. Plínio olhou para um lado, olhou para o outro e chegou a se oferecer para ficar em outro quarto, mas logo concluíram que era uma bobagem arcar com o custo adicional. Foram dois dias juntos, dormindo e acordando um ao lado do outro, mesmo sem se declararem, o desejo e a vontade de ficarem juntos só aumentava.

O que aconteceu em Tiradentes era o empurrão que faltava. De volta ao Rio, Plínio não teve dúvidas e foi sincero com Carolina, disse que estava apaixonado por ela e terminou o antigo relacionamento para se entregar de vez a uma história de amor que parece ter sido escrita sob medida para eles. Uma história pautada na admiração, no respeito, no desejo e na paixão. Um enredo com todos os ingredientes de um roteiro bem acabado. Das idas e vindas às armadilhas do destino, essa história tinha que ter um final feliz.

*Os atores criaram uma escola de artes no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, que batizaram com o nome de “Maktub”. Para conhecer, clique aqui.