Por Laís Oliveira

Com o surgimento do comércio eletrônico houve uma grande mudança no relacionamento entre compradores e vendedores. Pagamentos simples com cédulas cujo receptor tinha em mãos na hora o valor de sua venda deram lugar a vendas em plataformas digitais com formas variadas como boletos, cartões e sites especializados em intermediar consumidores e empresas.

Neste amplo e diversificado campo, o bitcoin surgiu para facilitar a relação entre compradores e vendedores, consumidores e empresas, transformando de uma vez por toda o mercado. O bitcoin é uma tecnologia digital que permite reproduzir em pagamentos eletrônicos com a eficiência dos pagamentos com cédulas comuns.

Muitas vezes descrita como uma “criptomoeda”, o bitcoin é uma moeda que existe apenas de maneira virtual – uma espécie de versão online do dinheiro. Pagamentos com bitcoins são rápidos, baratos e sem intermediários. Além disso, eles podem ser feitos para qualquer pessoa, que esteja em qualquer lugar do planeta, sem limite mínimo ou máximo de valor.

O bitcoin foi criado em 2009 por um anônimo com pseudônimo de Satoshi Nakamoto, quando a necessidade destas “cédulas virtuais” já era discutida desde a própria criação do e-commerce em vários segmentos. Cada bitcoin é um arquivo de computador que é armazenado em uma “carteira digital” de smartphones ou de computador. Cada transação é registrada em uma lista pública chamada “blockchain” e por isso não é possível gastar uma moeda que não seja sua.

Há três maneiras de conseguir bitcoins: comprar com dinheiro “real”; vender produtos ou serviços em bitcoins; comprar as moedas de novas empresas que já possuem dinheiro digital. Elas são valiosas porque há pessoas dispostas a trocá-las por bens e serviços reais, inclusive dinheiro físico.

Como a moeda virtual se tornou um dos investimentos mais rentáveis de 2017

Em 2017, a moeda virtual teve uma valorização meteórica. Em janeiro, um bitcoin era vendido abaixo de US$ 1 mil. No mês dezembro, ele tem valido cerca de US$ 11 mil dólares. Em 2016, uma moeda virtual custava U$ 753 (R$ 2.400, em valores transformados na moeda brasileira de hoje). Isso significa que o valor cresceu 1.215% em apenas 12 meses – a tendência de alta parece que vai continuar.

Como explicar um crescimento tão grande para uma moeda que não existe fisicamente? Para os analistas, a resposta a essa pergunta está nos investidores que aplicaram em bitcoins nos últimos meses.

A empresa de pesquisas Autonomous Next aponta os chamados “fundos hedge”, que compram ações para logo depois revendê-las e realizar lucro de curto prazo, como grandes compradores desse tipo de moeda. O número de transações desses fundos com bitcoins cresceu de 30 para 130 em 2017, segundo a Autonomous Next. Isso tem feito com que o valor da moeda tenha crescido como nenhum outro produto no mercado de ações neste ano, superando a rentabilidade de grandes empresas, como Disney, IBM e McDonald’s.

Cameron and Tyler Winklevoss

E já há, inclusive, bilionários no ramo das bitcoins: os dois irmãos que processaram Mark Zuckerberg, alegando que ele roubou o conceito do Facebook, são oficialmente os primeiros bilionários do bitcoin, segundo informações do The Telegraph. No domingo (03/12), os investimentos dos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss superaram o recorde de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 3,5 bilhões).

Tudo começou em 2013 quando os irmãos Winklevoss compraram 1% da oferta total de bitcoins por US$ 11 milhões, usando parte da indenização de US$ 65 milhões que ganharam de Mark Zuckerberg. Desde então, a moeda criptografada valorizou-se quase 10.000%, fazendo dos gêmeos os primeiros bilionários do bitcoin.

Atualmente no mercado financeiro, ainda não há consenso sobre sua real função e o que deve acontecer nos próximos anos com a bitcoin. Heroína ou vilã, o fato é que a criptomoeda deixou de ser mera curiosidade para se tornar um assunto comum entre investidores e tem feito milionários – e agora bilionários.

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