Por Laís Oliveira
A era da informação, marcada pelo rápido avanço tecnológico, tem modificado nosso dia a dia, nosso comportamento e, claro, os relacionamentos e vínculos amorosos. Dos tempos do bate-papo até os contemporâneos aplicativos de encontros, o campo online pode não só facilitar a vida dos tímidos, como ajudar a encontrar pessoas com gostos parecidos — aumentando as chances de o romance vingar ou ainda oferecer a quem busca relações casuais e rápidas, sem muito envolvimento, seus pares ideais.

De fato, o olho no olho tem sido substituído diariamente pelo olho na tela, mas não completamente. As relações têm sido mais virtuais do que presenciais, mesmo com as pessoas que estão fisicamente perto. Basta observar na mesa de um bar, ou qualquer outro espaço físico onde há pessoas próximas, conhecidas ou não, cada uma mexendo em seu celular.

Para quem busca algo mais sério, talvez os aplicativos de encontros não sejam a opção número um, pois muitas vezes quando a relação sai do campo virtual para o real simplesmente não se desenvolve devido à dificuldade de comunicação entre as pessoas – muito acostumadas a digitar e falar “à distância”. Elas são experts em expressar o que pensam através das redes sociais, mas presencialmente tem dificuldades em trocar ideias, de aprofundar uma conversa, o que interfere na construção da intimidade.

Mas muitas pessoas deixam esse fator de lado e apostam em aplicativos de namoro e encontros casuais. ParPerfeito, Happn, Grindr, Badoo, OkCupid… são vários, mas o Tinder é o mais conhecido. Você certamente já ouviu falar nele, pois é um dos aplicativos de relacionamento mais famosos ao redor do mundo. Ele permite que seus usuários criem perfis descrevendo suas características, idade, localização, preferências e o que procura encontrar no aplicativo. Baseado nestes dados, o Tinder procura por opções entre outros usuários da ferramenta que se encaixem com você. As intenções por parte de quem busca este tipo de aplicativo vão desde a possibilidade de um relacionamento sério até o sexo casual.

Mais de 20 bilhões de matches já foram feitos pelo Tinder e, diariamente, são 26 milhões. A cada semana, 1 milhão de encontros. O Brasil é maior mercado da América Latina e o segundo maior do planeta, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Além do Tinder, há diversos jogos eróticos online nos quais é possível conversar e interagir com pessoas de diferentes partes do mundo a fim de brincadeiras mais picantes e, talvez, sem muito comprometimento. O Sex Actions é um dos mais conhecidos. A ideia é conhecer pessoas virtualmente por meio de um chat. Caso se interesse por alguém em específico, há uma opção para começar uma conversa privada e realizar brincadeiras eróticas. O game conta com modos para solteiros, casais e grupos de amigos. É importante lembrar que é preciso ter no mínimo 18 anos para baixar o jogo.

No campo antropológico e psicológico, as mais recentes formas de se relacionar, por meios de aplicativos e jogos, são estudados com afinco pelos mais diversos pesquisadores. Para a doutora em psicologia e autora do livro “Tinderelas”, Lígia Baruch, por exemplo, as diversas experiências sexuais que os aplicativos oferecem são libertadores e têm um lado empoderador.

De acordo a psicóloga, as mulheres aumentaram o repertório de relações e se igualaram aos homens que, tradicionalmente, sempre tiveram mais bagagem sexual. Além disso, esses mais variados tipos de relações não precisam ser julgados, pois há poucos manuais sobre o que é certo e errado, moral e imoral. Além disso, para muitos antropólogos e sociólogos, as formas mais tradicionais de relacionamentos vão continuar existindo, mas agora, no geral, tudo passa por acordos personalizados entre os casais. Isso pode, já no presente e cada vez mais no futuro, libertar a mulher de relacionamentos abusivos, por exemplo. Há a possibilidade de ter múltiplas relações ou entrar num namoro que realmente seja bom para ela, cada um escolhe o que é melhor para si.

Outro componente dos aplicativos que está mudando a maneira como nos relacionamos é a geolocalização dos telefones celulares. Muitas pessoas são atraídas por determinado perfil, mas quando observam o local em que a pessoa mora, desistem do encontro e passam para a próxima possibilidade. Outra mudança importante é a “linkedização” dos dates. Antes de conhecer pessoalmente o “par perfeito”, as pessoas avaliam o “currículo” dos pretendentes. Na lista de itens a serem checados há desde idade, foto de perfil, profissão, hobbies, onde mora, e até a posição política.

O fato é que como todas as mudanças que as novas tecnologias trouxeram, essa maneira de se relacionar é um caminho sem volta, mas é importante analisar que a forma tradicional de conhecer pessoas, entrar em relacionamentos e construir bases sólidas ainda existirão. Qualquer forma de amor vale a pena. A humanidade aderiu aos aplicativos, que vieram para ficar até que alguma outra tecnologia chegue para substitui-los. O avanço não pode ser contido, as pessoas que devem ou não se  adequar a ele de acordo com seu perfil e personalidade.

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