Em Los Angeles: quem saiu para votar no domingo (07) enfrentou fila e muita espera. Foto: Claudia Passos

As eleições deste domingo (07) movimentaram o Brasil e o mundo e levou muita gente às urnas. No total, mais de 500 mil brasileiros estavam aptos a votar em 99 países, apesar disso, o índice de abstenção foi alto com quase 50% desse meio milhão de pessoas não comparecendo às urnas nas embaixadas e consulados pelo mundo.

O consulado geral de Los Angeles, que tem registrados eleitores brasileiros residentes de várias cidades do Sul da Califórnia, além de outros estados como Nevada e Arizona, registrou recordes de comparecimento e também de cadastramento para votar. Na frente do prédio do consulado em Beverly Hills  grandes filas se formaram durante quase todo o dia do domingo.

Com os resultados após a apuração no Brasil e no mundo, Jair Bolsonaro, do PSL, e Fernando Haddad, do PT, disputarão oficialmente o segundo das eleições presidenciais. O capitão reformado do Exército recebeu 46% dos votos. Já o petista obteve 29,3%.

Após a confirmação do resultado, Bolsonaro afirmou que o Brasil não pode “dar mais um passo à esquerda” porque, segundo ele, está “à beira do caos. Ele falou em “unir o nosso povo, unir os cacos que nos fez o governo da esquerda no passado”.

Haddad também se referiu à necessidade de união. “Queremos unir as pessoas que têm atenção aos mais pobres desse país tão desigual”, declarou. O presidenciável do PT disse que, para isso, contará com “uma única arma: o argumento”.

Eleições pelo Mundo

Nos Estados Unidos, Jair Bolsonaro (PSL) foi o candidato mais votado em todas as cidades apuradas. Ele também foi o mais votado nas três cidades japonesa e nas capitais de Venezuela, Irã e Israel, onde só houve um local de votação.

Já Ciro Gomes (PDT) foi o mais votado nas capitais da França, da Alemanha e da China – na França, o único posto de votação foi em Paris; já nos dois últimos países, houve votação em outras cidades, onde venceu o candidato do PSL.

Em duas cidades, Accra (Gana) e Moscou (Rússia), Ciro e Bolsonaro ficaram empatados com 6 e 18 votos cada, respectivamente. Em Dublim (Irlanda), Ciro superou Bolsonaro por apenas três votos. Haddad (PT), por sua vez, venceu em países árabes como a Palestina e a Jordânia, nas duas cidades da Nigéria e na capital de Cuba, Havana.

O que disse a imprensa mundial sobre o resultado no Brasil

Os resultados surpreendentes e expressivos movimentaram a imprensa internacional. Na Espanha, o jornal “El País” apontou a grande vantagem de Bolsonaro sobre Haddad no primeiro turno e destacou “a necessidade de uma reviravolta radical para (Haddad) evitar o triunfo da extrema-direita”. A publicação descreveu o candidato do PSL como “um político autoritário, racista, machista e homofóbico. Um adorador da ditadura, que mergulhou o Brasil em um dos seus períodos mais sombrios por 20 anos. Para o El País, Bolsonaro é “o defensor dos valores mais reacionários”, afirmou.

Nos EUA, o “Washington Post” informou o resultado do primeiro turno e disse que “Bolsonaro, que é frequentemente comparado ao presidente Trump, chocou os brasileiros ao conquistar quase metade dos votos após uma campanha que dividiu o maior país da América Latina em questões de raça e gênero”, afirmou.

O jornal “New York Times” afirmou que Bolsonaro deixou escapar a vitória no primeiro turno. “Um candidato de extrema-direita, que já falou com carinho sobre a ditadura militar do Brasil, ficou a um fio da vitória nas eleições presidenciais no domingo, quando os brasileiros expressaram repulsa à política e endossaram a abordagem de mão de ferro para combater o crime e a corrupção”, disse o jornal.

Na Inglaterra, o principal destaque foi dado pelo “The Guardian”. Na versão digital, o jornal noticiou que Jair Bolsonaro conseguiu uma “vitória estrondosa” no primeiro turno, mas não garantiu a vitória. “Candidato da extrema-direita terá que vencer o segundo turno para assegurar a Presidência”, resumiu.

O italiano “La Stampa” disse que Brasil “virou à direita”. “Foi por um suspiro que Jair Bolsonaro não venceu as eleições brasileiras e terá que ir às urnas com o candidato da esquerda, Fernando Haddad”, disse o site do diário. O jornal russo RT chamou o candidato do PSL de “Trump dos trópicos”, numa comparação com o presidente americano. “Bolsonaro montou uma onda de sentimento anti-establishment no Brasil para registrar um crescimento sem precedentes no apoio popular, não diferente do que fez Donald Trump em 2016”, afirmou.

Esta é a oitava eleição presidencial por meio do voto direto desde a redemocratização, no fim da década de 1980. O vencedor governará o Brasil de 1º de janeiro 2019 a 31 de dezembro de 2022.

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