O caso da brasileira Melissa Gentz, de 22 anos, que mora em Tampa, cidade no estado da Flórida, e foi espancada no último dia 23/09 pelo namorado, também brasileiro, Erick Bretz, de 25 anos, gerou revolta nas redes sociais e nas ruas do país. Os dois estavam juntos há 3 meses e faziam faculdade na Flórida, mas viviam num relacionamento abusivo no qual Melissa tentava sair, mas não conseguia.

Na última briga do ex-casal, na qual ela foi espancada, a estudante  revelou que eles assistiam a um filme quando as agressões começaram. “Depois de um tempo ele começou a ficar agressivo. Pedia sem parar o meu celular. Eu queria ir embora e ele não deixava”, relembrou.

No áudio gravado pela jovem, o rapaz diz que era para ela dar o celular quando ele pedisse. “Você não aceita o homem que tem mais dominância do que você. Você não aceita, você acha que é o homem da relação. Mas você não é”. Segundo a jovem, Erick teria dados chutes no rosto dela, a puxado pelo cabelo e batido o rosto dela contra o chão.

Com muito custo, Melissa conta que conseguiu se desvencilhar de Erick e correu para dentro do banheiro, mas ele arrombou a porta. “Para eu me livrar dele, eu entreguei o celular para ele e saí correndo para a portaria do prédio”. Ela falou que o porteiro chamou a polícia e uma ambulância para socorrê-la. Depois de medicada, no mesmo dia, à tarde, Melissa voltou ao apartamento de Erick para buscar os objetos pessoais. Ela estava acompanhada de dois policiais. O rapaz estava dormindo e recebeu voz de prisão.

Erick Bretz

No dia 25/09, ele pagou fiança de US$ 60 mil – o equivalente a quase R$ 245 mil – e deixou a prisão em Tampa e teve que entregar o passaporte para responder ao processo nos EUA. Nem a família de Erick e nem os advogados do estudante se manifestaram.

O caso segue na justiça norte-americana e a gravação do pedido de socorro de Melissa à polícia, inclusive, foi solicitada pelos advogados da estudante e será usada no processo. Neste domingo (14), Melissa, que ainda está no país preferiu não dar entrevista. Na época da agressão, ela contou a um site de notícias brasileiro que, para se livrar do namorado, entregou o celular e saiu correndo para a portaria.

Segundo ela, a polícia e uma ambulância foram, então, acionadas pelo porteiro do prédio. A chamada também foi solicitada pelos advogados de Melissa e, no áudio, é possível ouvir um homem dizendo que “uma jovem senhora apareceu na recepção, parece que ela foi agredida. Ela está chorando. Ela diz o que o namorado dela tentou matá-la”.

Do outro lado do processo,  os advogados de Erick Bretz afirmaram, em nota encaminhada a um programa de TV brasileiro, que o jovem é inocente, que Melissa Gentz é a verdadeira agressora e que ela teria atacado Erick. Disseram, ainda, que ela será processada por ações caluniosas e difamatórias.

Ainda de acordo com os advogados, recentemente, um juíz negou um pedido de medida restritiva contra o rapaz. Segundo eles, na semana passada, a procuradoria do estado também retirou uma das acusações contra o mineiro, a qual classificam como a mais grave.

Nas redes sociais, para ajudar e dar coragem a outras mulheres que passam ou passaram pela mesma situação que ela, mas tem medo de denunciar os companheiros, Melissa postou, no início deste mês, fotos denunciando as agressões. A jovem disse que publicou as fotos porque queria ajudar as mulheres que estão presas nessa situação, “porque eu não estava conseguindo sair dela”.

“Eu tenho certeza absoluta que ele tentou me matar. Não é que ele me deu um soco. Se ele tivesse me empurrado, eu já não teria conseguido fazer nada. Mas ele me espancou. Bateu a minha cabeça no chão várias vezes, me arrastou pelo apartamento, segurando o meu cabelo”, relatou Melissa ao programa de TV.

Após o ex-namorado sair da cadeia, Melissa disse que quer deixar os Estados Unidos, pois está com medo. A família da jovem foi até a Flórida acompanhar o caso e quer que a jovem volte para Belo Horizonte assim que a justiça liberar, já que o processo está aberto. Para voltar para o Brasil, Melissa contou que vai trancar a faculdade de biologia molecular e celular que fazia desde 2015, mesmo com formatura prevista para o fim deste ano.

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