Por Carol Mendes

“Espelho, espelho meu…” o complemento para essa frase nos tempos de hoje parece ter mudado. O famoso “existe alguém mais bela do que eu?” parece ter dado lugar a questionamentos como: tem pés de galinha no meu rosto?; meu nariz é torto?; posso tirar tantos litros de gordura daqui?; ou meus seios são pequenos demais?. O pesadelo de estar em frente ao espelho e encontrar um fio de cabelo branco na cabeça agora ganhou outras dimensões. Ter um sonho ruim é não ter um corpo escultural que lembre as atrizes e modelos famosas.

Já que se vive numa sociedade onde correr contra o tempo e resultados imediatos são uma ordem, a cirurgia plástica virou mania mundial e no Brasil a preocupação com a beleza faz parte da realidade da população. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – SBCP, o país ocupa o segundo lugar num ranking mundial quando o assunto são os procedimentos cirúrgicos desta natureza, aproximadamente 629 mil cirurgias por ano, perdendo apenas para os Estados Unidos.

As lipoaspirações lideram o segmento de procedimentos estéticos, seguida de perto pela colocação de próteses de silicone nos seios, e as reparações na face e no abdômen. Por carregar este título na bagagem os profissionais brasileiros são bem quistos e requisitados pelo público estrangeiro.

Seios, nádegas, rosto, barriga, coxas e até mesmo os lábios vaginais não escapam os ideais de beleza impostos pela sociedade. O Brasil é aliás, o país onde mais se realizam cirurgias estéticas íntimas, seja para estreitar o canal vaginal, diminuir os grandes lábios ou retirar gordura do púbis.

No total, a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps) aponta que 13 mil labioplastias foram realizadas em 2016 no Brasil, com um aumento de 39% em relação ao ano anterior. Segundo especialistas, a maioria desses procedimentos não é realizada por uma questão funcional, mas puramente estética.

E os profissionais brasileiros estão no topo do ranking de preferência quando o assunto é cirurgia plástica. Robert Rey, por exemplo, é um brasileiro radicado nos Estados Unidos há mais de 30 anos e reconhecido por ser um dos cirurgiões plásticos mais requisitados de Beverly Hills. Ele ficou conhecido após apresentar o reality show Dr. Hollywood e por utilizar técnicas avançadas que deixam o mínimo resquício de cicatriz em suas cirurgias.

E por falar em cicatriz, independente do procedimento a ser realizado, é necessário tomar alguns cuidados. O sonho de muitas mulheres e também de muitos homens, torna-se mais acessível a cada ano. No Brasil, por exemplo, é possível encontrar parcelamento em clinicas de estética que vão até os 36 vezes. Esse crescimento da facilidade para se realizar plástica deve receber atenção redobrada, afinal é bem comum encontrar pessoas insatisfeitas com o resultado artificial e até mesmo desproporcional de um procedimento como esse. É interessante procurar pessoas que já tenham passado pelo procedimento com o médico a ser está consultado, e saber se o mesmo é reconhecido pelo Conselho de Medicina e pela SBCP.

O Brasil é, sem dúvida, uma referência mundial em cirurgia plástica. Inúmeras técnicas, mundialmente usadas, são de autores brasileiros entre os quais se destaca o professor Ivo Pitanguy, recentemente falecido, que abriu o mundo para a cirurgia plástica brasileira. Mas é preciso cautela e muita reflexão antes de se submeter a qualquer procedimento estético invasivo.

Escolher uma equipe médica de reconhecimento profissional, um hospital ou clínica de nível bom ou excelente, estar em boa forma física e psicológica no momento da cirurgia, entender os riscos, não decidir por impulso, estar bem informado sobre o procedimento desejado, seguir rigorosamente as orientações médicas e melhorar o estilo de vida pode ajudar e muito a você. Na medicina, qualquer cirurgia implica em risco, mas bom senso, cautela e informações aumentam as chances em atingir um resultado satisfatório nesses casos.

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