Por José Ricardo Braga Aguilar | Tradução: Alia Ponte

A economia mundial tem mudado mais rápido do que o esperado há dez anos. As pessoas pararam de acreditar que um país como os Estados Unidos ou a União Européia têm, sozinhos, o poder de liderar a economia mundial. Após a crise econômica de 2008, gostamos de pensar que crescemos com mais sabedoria, e por essa razão, um ceticismo maior se tornou atributo recomendável. De repente, as coisas não são mais como costumavam ser. Os trabalhos em Wall Street não são mais tão “legais” e pedir para que o governo aumente a regulamentação em algumas indústrias é razoável.

Dando ainda mais significado a essa mudança mundial, existe a China que parece não parar de desenvolver sua economia. Logo atrás está a Índia com o crescimento inacreditável de sua mão-de-obra. Para os próximos dez anos, espera-se que o país tenha mais de 130 milhões de trabalhadores. Enquanto tudo isso está acontecendo, observamos a Islândia tropeçar e o todo poderoso Euro provar que não está mais tão poderoso. Em um senso mais geral, mas, que ainda assim colabora para uma mudança, é o aquecimento global, que continua batendo na mesma tecla, seguido pela globalização, a qual não pode impedir o achatamento da superfície do planeta Terra.

Ao analisar um cenário mais amplo dos últimos anos, deveríamos estar alertas sobre a rápida mudança global. Essa frase não significa o anúncio de um mundo pós-americano, mas deveríamos estar atentos sobre outras economias cujo crescimento é mais rápido em relação às economias mais fortes. Isso não significa que “os grandões” não estão crescendo mais. Eles continuam crescendo, porém os emergentes estão simplesmente crescendo a passos mais rápidos.

No meio de toda essa mudança, o Brasil se mostrou pronto para vôos mais altos. O país é agora uma das dez maiores economias do mundo e está (discretamente) exigindo o status de “desenvolvido” em vez de “nação em desenvolvimento”, como encontrado nos livros didáticos.

Enquanto cresce a sua economia, a uma velocidade razoável, o país também está se tornando um jogador ativo no cenário mundial. Aqui há uma jovem democracia que ousa dizer que não precisa de permissão para tentar resolver disputas internacionais. Quando o país não vota contra sanções na Organização das Nações Unidas – ONU, está emprestando dinheiro para o Fundo Monetário Internacional – FMI, ou chamando a atenção do mundo por sediar a próxima Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.

Muitos economistas e estudiosos reconhecem a mudança que o Brasil está passando, mas muitos poucos têm tido tempo para refletir sobre o que o país deve fazer a fim de manter e sustentar esse crescimento. Mesmo que o país tenha tanto crescimento a se esperar, a realidade é que o Brasil não chegou lá ainda. Todos os indicadores mostram que este acabará por se tornar uma “força emergente”, e há pouca dúvida sobre isso, mas antes que o país possa chegar lá, terá que passar pela fase de sustentabilidade. É extremamente crucial que o Brasil não apenas tenha por objetivo o crescimento econômico rápido, mas que descubra a fórmula certa para manter esse crescimento de maneira contínua.

Crescimento Econômico Sustentável

Robinho na Inglaterra, Daniel Alves na Espanha, na Itália, Kaká e Juan na Alemanha são alguns poucos exemplos dos muitos jogadores de futebol brasileiros de sucesso que atuam nas ligas de futebol mais importantes em todo o mundo. Mas, a indústria de futebol do Brasil não é apenas uma exportadora de talentos do futebol. O país continua a produzir alguns dos melhores jogadores do mundo, mas agora também os mantêm em casa, se não os compra de volta, como o ocorrido recentemente com Ronaldinho e Adriano.

A partir de uma perspectiva macroeconômica, esse é um sinal de crescimento econômico. Se o futebol está, finalmente, trazendo um bom dinheiro para o mercado interno, então isso se deve porque as pessoas se tornaram capazes, e estão dispostas a gastar mais dinheiro para um bom futebol. Obviamente, esse é mais um indicador econômico atrasado que qualquer outra coisa – mas, no entanto, um indicador positivo do progresso econômico atual. Antes que os brasileiros possam desfrutar de uma economia estável e desenvolvida, devem passar pelo processo de gestão da sustentabilidade.

Manter esse crescimento exige a fixação de muitos fatores diferentes/áreas. Algumas áreas que necessitam de melhoria são: saúde, agronegócios, os gastos do governo, infra-estrutura, reforma tributária, a necessidade de reforma política e educação. Por agora, algumas dessas áreas já estão passando por grandes investimentos e desenvolvimento, mas outras áreas tão importantes (se não mais) ainda estão para trás. Antes de esse artigo abordar os setores que precisam de reforma, aqui está uma maneira de cada indivíduo influenciar diretamente a economia.

Os consumidores são uma grande força de crescimento econômico. Ao longo dos últimos anos, as suas “ferramentas” de compra têm melhorado significativamente. Além de aumentar seus hábitos de compra, devido à segurança no emprego e ampla linha de crédito, o aumento do salário mínimo também tem ajudado a empurrar a economia para frente. Desde 1995, durante a administração de Fernando Henrique Cardoso – FHC, o salário mínimo só foi aumentando. Certamente não aumentou tanto quanto muitos gostariam, mas alguma melhoria é sempre melhor do que nenhuma.

Lidar com o salário mínimo é sempre uma tarefa complicada. Não só, não há opinião pública envolvida (que raramente se expressa de maneira satisfatória), mas, há também a inflação, especialmente no Brasil – sempre à procura de uma oportunidade para aumentar. Desde 2002, o último ano da presidência de FHC, o salário mínimo passou de o equivalente a US$ 86 (mensais) para cerca de US$ 325 hoje, um aumento que também foi acompanhado pelo desenvolvimento econômico e, que, provavelmente deverá aumentar durante os próximos dois anos. Boatos dão conta de que o salário mínimo deverá sofrer aumento potencial no decorrer dos próximos dois anos, até atingir o valor de R$ 650 em 2013. O gráfico a seguir mostra mais detalhes sobre o aumento do salário mínimo até hoje.

Outros fatores que têm permitido o desenvolvimento econômico é a forma como o governo tem se envolvido no mercado interno, e como tem guiado a economia durante os últimos anos. Neste caso, os gastos do governo e os programas sociais foram significativamente responsáveis pelo crescimento que os brasileiros vêem hoje. Por outro lado, os da direita não estão tão felizes, pois o setor público, muitas vezes, age como uma empresa privada, e conta com múltiplas participações do setor privado.

Alguns dos argumentos contra o envolvimento do governo (e válidos) são de que as taxas de poupança pessoal são muito baixas. No futuro próximo, acredita-se que estas taxas não irão coincidir com o alto gasto público. Muitas pessoas teriam esperado que o governo Lula ficasse mais à esquerda do que à direita, mas este governo certamente se destacou por suas tendências neoliberais.

Não é todo dia que um ex-líder sindical, sem um diploma universitário faz com que a economia que ocupava o 17º salte para 8º lugar, ou é capaz de liderar um país fora da recessão antes de quase todo o mundo. Isso certamente não deveria soar como uma ofensa, mas como um exemplo e inspiração para muitos outros países emergentes. Durante os oitos anos da administração de Lula, ele surpreendeu a todos nós, na medida em que misturou sua visão socialista democrática, com práticas capitalistas. Em suas próprias palavras, Lula diz que “antes de ser um socialista, você tem que ser capitalista (…) primeiro construir o capitalismo, e então fazer o socialismo. Devemos ter algo para distribuir antes de fazer isso”. Esta é uma abordagem muito interessante, que reflete a maior parte da governança social-democrata européia.

Maiores Desafios à Frente: Infra-Estrutura e Educação

Infra-Estrutura

Uma infra-estrutura eficiente e bem desenvolvida é requisito básico para qualquer país que busca um crescimento econômico em longo prazo. Nesse sentido, felizmente, o fraco nível de infra-estrutura no Brasil está finalmente sendo reconhecido como um problema. Durante a corrida das últimas eleições presidenciais entre Dilma e Serra, o tema da reforma de infra-estrutura foi citado um bom número de vezes. O único problema aqui é que o candidato que parecia saber o melhor a ser feito acabou perdendo a eleição: José Serra.

Isso não quer dizer que Dilma não irá dar a devida atenção à questão da infra-estrutura. Ela anunciou que está dando continuidade ao Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, criado pelo governo Lula, em 2007. Esse programa tem o objetivo de aumentar a cobertura e a qualidade das redes de infra-estrutura, juntamente com um melhor acesso à água, saneamento, habitação, eletricidade, transporte e energia. Desde o seu lançamento, o programa levantou R$ 504 bilhões em investimentos para o período 2007-2010. O dinheiro foi alocado da seguinte forma: R$ 171 bilhões para infra-estrutura social, R$ 275 bilhões para projetos relacionados à energia, e R$ 58 bilhões para logística.

Apesar de já ter passado alguns anos desde a criação do PAC, resultados significativos estão ainda para ser vistos. Infra-estrutura no Brasil torna-se um problema ainda maior quando se fala em sediar a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos nos próximos anos. Há muito trabalho a ser feito, e a quantidade de tempo que resta está apenas ficando mais curta. O governo do Brasil precisa dar um passo no jogo, e envolver o setor privado na reforma da infra-estrutura do país.

Enquanto reuniões PAC estão ocorrendo e o dinheiro está sendo alocado, a situação no Brasil é: mais pessoas estão pernoitando nos aeroportos; estradas ruins continuam a causar acidentes; os portos continuam com o mesmo aspecto que tinham na década de 1980; a chuva pesada continua causando inundações e deslizamentos de terra; e apagões de energia ainda acontecem de vez em quando. De acordo com as Crônicas de Negócios Latinos, enquanto o Brasil tem melhorado oito posições desde 2008, na qualidade geral da sua infra-estrutura, ainda se classifica em 62º lugar. Outras áreas têm sido classificadas da seguinte maneira: transportes e energia elétrica (67º) e infra-estrutura de telefonia (65º).

As áreas mais problemáticas, como destacado pela GCI, são: a qualidade da infra-estrutura portuária (123º), as estradas (105º), a infra-estrutura de transporte aéreo (93º), seguida, em menor escala, da infra-estrutura ferroviária (87º) e a telefonia móvel (76º). Esses números mostram como o país ainda tem um longo caminho a percorrer se quiser manter-se e sustentar o crescimento econômico.

A solução para isso seria, em primeiro lugar, a combinação de senso de urgência e, em segundo, o envolvimento de mais investimento privado. A verdade é que o Governo Federal não pode tomar uma decisão sobre essa questão por si só, especialmente quando consideramos que este não é o único problema que precisa ser solucionado, a fim de manter o crescimento. Entidades privadas (incluindo Investimentos Estrangeiros Diretos – FDI) têm tanto o capital, quanto os conhecimentos necessários para começar o trabalho feito.

Do ponto de vista pessoal, uma boa ideia para começar com algum progresso seria privatizar a Infraero (Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária) antes que toda a indústria se desmanche. Fica claro que o governo não quer passar toda a glória a investidores privados, a melhor opção aqui é dar mais confiança aos investidores privados e expandir a chamada PPP – Parceria Público-Privada, e trabalhar juntos. Mas antes que isso possa acontecer, o Brasil tem de atrair mais investimentos privados – e isso deve ser feito em breve. O governo é a única entidade capaz de incentivar o setor privado para entrar e participar. Investimento privado em infra-estrutura pode ser facilmente comercializado, com ênfase na proteção de retorno de investimentos, além da colocação de regras mais previsíveis. O Brasil já oferece risco político baixo e moeda estável. Tudo o que precisa agora é atrair mais investimentos estrangeiros diretos, além dos próprios investidores nacionais.

Educação

Com tanto crescimento esperado para as próximas décadas, é assustador pensar em quem irá liderar o país através do desenvolvimento. Um executivo bem preparado seria um bom começo, mas não o suficiente. Um país precisa de profissionais talentosos para liderar o caminho. Os Estados Unidos, por exemplo, estão notando uma queda no número de engenheiros e cientistas (pela primeira vez, os números são mais elevados em partes da Europa). Hoje, o governo está certo, na medida em que tenta motivar os jovens estudantes para estudar matemática e ciências de novo. No caso do Brasil, a falta de motivação não é o problema real no sistema educacional. O problema é composto pela combinação de instituições ruins e maus professores. Além disso, há vinte anos, havia pouco gasto do governo com a educação – agora, existe muito dinheiro mal administrado.

O sistema educacional no Brasil é composto por escolas privadas e públicas que abrangem todos os níveis da educação. A média americana espera que qualquer escola pública seja mais financiada, e melhor preparada, mas no Brasil, acontece completamente o oposto. As escolas privadas encontram-se melhor preparadas em comparação às públicas, mas, ainda assim, não atendem à média desejada. Durante sua presidência, FHC decidiu inserir no país o Programa Internacional de Avaliação – PISA: programa criado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE, com a finalidade de medir o quanto os estudantes estavam aprendendo. No final de 2009, o quarto estudo PISA, que envolveu alunos, em média, com 15 anos de idade, foi publicado. Na época o Brasil mostrou ganhos em todas as três disciplinas: matemática, leitura e ciências. Agora o teste envolve 65 países, sendo que o Brasil encontra-se em 53º (em leitura e ciências). Com base na média da OCDE, o gráfico a seguir apresenta o melhor desempenho dos estudantes brasileiros com pontuação 500.

Embora o resultado tenha sido melhor, ainda se trata de um progresso pequeno – os estudantes brasileiros com 15 anos de idade pontuaram muito menos do que a média dos estudantes dos países da OCDE. A causa disso não está apenas relacionada aos estudantes, mas aos professores também. Sabe-se que os professores latino-americanos tendem a ter defasagem na educação. Professores no Brasil são, em sua maioria, treinados sobre a filosofia da educação, enquanto que os professores dos países da OCDE são, na sua maioria, formados na base do assunto ou habilidades de ensino (no topo de seu histórico escolar).

Alguns dos governos estaduais estão levando o problema mais a sério e tentando formas inovadoras de corrigir seus sistemas. O Estado de São Paulo criou um plano de carreira para os professores que fizerem bem o seu trabalho, e a cidade do Rio de Janeiro está dando bônus para as escolas que atingirem as metas estipuladas. Outra solução seria certificar os professores veteranos e os recém-chegados também. Estes últimos também deveriam ser testados para atender um padrão mínimo. Aqueles que não estiverem preparados não devem ser demitidos, ao invés disso, deveriam ser melhor treinados com o apoio do governo local. Obviamente, os alunos também devem ser motivados (e isso começa em casa), mas os professores devem ter conhecimento do seu material para ensinar de forma eficaz.

FHC, que é ex-professor universitário, também iniciou um programa destinado a influenciar as famílias pobres a manter seus filhos na escola (ao mesmo tempo, tentou dar um fim ao trabalho infantil). Hoje, esse programa, com a melhoria do ex-presidente Lula, passou a ser chamado de “Bolsa Família”. Mais de 12 milhões de famílias estão cadastradas e esse programa está gerando resultados positivos. O “Bolsa Família” funciona através do pagamento às famílias de baixa renda (que se registram) de uma pequena remuneração mensal, por criança que estiver frequentando a escola. Esse montante varia de R$ 22 a R$ 200 (cerca de US$ 15 a US$ 125).

Apesar de ser um programa reconhecido internacionalmente, algumas pessoas poderiam argumentar contra ele dizendo que programas sociais como estes não somente criam dependência, mas ajudam os políticos a se elegerem novamente. Isso até pode ser assim, mas ao mesmo tempo, o “Bolsa Família” está produzindo resultados bem positivos: milhões de famílias saíram da pobreza e entraram na classe média. Por outro lado, é lamentável que as escolas brasileiras não estejam bem preparadas para cuidar desses alunos.

As universidades também não escapam do horror. Algumas das principais universidades públicas tendem a ser academicamente melhores que a maioria das instituições privadas. Universidades como a Universidade de São Paulo – USP, ou a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG são grandes exemplos; mas os alunos que realmente têm a intenção de ir a essas escolas públicas raramente são vistos. Universidades públicas (também chamadas de universidades federais) são gratuitas; algumas vezes os alunos também podem ter aulas a custos muitos baixos. A intenção original é criar universidades públicas para a maioria dos estudantes de famílias pobres. O problema é que, a fim de ingressar, o estudante deve fazer um teste rigoroso para competir por um número limitado de vagas. Estudantes que cursaram o ensino elementar, fundamental e médio da rede pública no Brasil são muito menos preparados do que estudantes de famílias mais ricas que freqüentaram escolas privadas e tiveram aulas particulares.

Aqueles que não conseguem pontuação alta o suficiente para obter uma vaga são deixados do lado fora, com a opção de pagar por uma universidade privada (alguns estudantes podem optar por uma universidade privada, porque elas são bem mais cuidadas e têm equipamentos melhores). Por essas e outras razões, o sistema educacional no Brasil é deficiente e, nos bastidores, está forçando seus futuros profissionais. O sistema educacional deve ser fixado, a fim de ajudar a sustentar o crescimento econômico no Brasil nos próximos anos. E como temos visto até agora, os desafios para a sustentabilidade econômica não param por aqui.

O Brasil Depois de Lula

Lula merece muitos créditos devido à sua administração dos últimos oito anos. Antes dele, o ex-presidente FHC chegou e introduziu a estabilidade e a possibilidade de crescimento econômico. Lula, em seu próprio tempo, foi capaz de perceber os benefícios das políticas que ele herdou e os fez melhor. Alguns desses avanços são quantificados: desde 2003, há 20 milhões de brasileiros que saíram da pobreza e foram para a classe média. Ao mesmo tempo em que Lula conta uma história única que ajuda a moldar a “Marca Brasil”, o seu governo mostrou que os brasileiros pobres também têm uma voz. Ele, finalmente, ajudou a virar a página do país, ao escrever um novo capítulo.

Dilma Rousseff, escolhida por Lula e a primeira mulher Presidente do Brasil, também tem seu próprio estilo. Muitos ainda não acreditam que ela será capaz de manter o país no seu caminho atual. A nova Presidente não tem experiência e carisma, que são qualidades que Lula tem em abundância. A Sra. Rousseff também deve reconhecer que a razão principal por ela ter sido eleita se deu por conta do apoio de Lula. Esse é um fato que a nova Presidente parece aceitar com grande respeito. Em parte, os eleitores escolheram Dilma porque ela representa a continuação do trabalho de Lula. Ela já disse muitas vezes o que pretende fazer durante sua campanha, e suas palavras têm ecoado mais e mais através de seus representantes em conferências por todo o país. Mas, os investidores e líderes empresariais ainda esperam.

Durante seu primeiro mês como Presidente, um dos sinais mais significativos de como Dilma governará foi, a escolha, feita por ela, dos seus 37 ministros. Entre essas opções, algumas delas foram: Alexandre Tombini da diretoria do Banco Central, hoje responsável do Banco Central (decisão que agradou aos investidores à procura de sinais de ortodoxia econômica); o popular Antonio Palocci, ex-ministro das Finanças, que foi tirado do papel central e agora é Chefe de Gabinete. Em terceiro lugar, há Guido Mantega, que tem mantido seu posto como ministro da Fazenda.

Até agora, a Presidente Dilma não deu qualquer razão para queixas. Com tão pouco tempo no poder e, tão pouca experiência, torna-se difícil julgar e prever o ideal da então Presidente em relação ao país. Até o momento, a Presidente expressou claramente sua posição de apoio aos Direitos Humanos.

É verdade que Dilma Rousseff tem pouca experiência, mas a nova Presidente mostrou que tem potencial e coração para governar. Por essas e outras razões, espera-se que ela não venha a comprometer-se com questões grandes, nem fazer movimentos audaciosos. No geral, Dilma conta com uma administração composta de profissionais experientes e políticos que estiveram acerca do governo por muitos anos. A equipe de Dilma vai ajudá-la a melhorar a sua compreensão, na medida em que aprender com os erros menores ao longo do caminho. É também previsível que durante sua administração, o país continue a crescer economicamente, enquanto a classe média cresce. Nós apenas esperamos que, ao permitir o crescimento, Dilma prepare o país para sustentar tal progresso no futuro.

O Brasil mostra promessa e caráter. É um lugar em que os pobres estão começando a se sentir motivados a subir para a classe média. Este é também o lugar em que a música é poderosa o suficiente, para inspirar as pessoas, mesmo se estas estiverem desempregadas. O mundo está ansioso para ver como o Brasil poderá misturar o samba e a bossa nova com atraentes políticas econômicas, mas antes que o país possa chegar lá, o Brasil precisa corrigir seus setores principais, a fim de sustentar o crescimento econômico.

* José Ricardo Braga de Aguilar tem dupla nacionalidade e é natural de Minas Gerais, no Brasil. É graduado em Negócios Internacionais pela Universidade de Bridgeport e, em junho de 2011, concluiu o seu MBA em Economia Internacional em Nova Iorque. Contato e comentários: joseaguilar113_at_gmail.com.

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