O presidente Jair Bolsonaro está nos EUA em visita oficial a Donald Trump que ocorrerá nesta terça-feira (19). Mesmo que o encontro ainda não tenha acontecido, na manhã desta segunda-feira (18), por decreto, o governo Bolsonaro liberou a necessidade de visto para cidadãos dos EUA, Canadá, Japão e Austrália, sem exigir reciprocidade. A medida provocou discussões no Brasil.

O decreto só entrará em vigor em 17 de junho deste ano. De acordo com o documento oficial, a dispensa do visto de visita apenas se aplica aos nacionais dos quatro países que sejam portadores de passaportes válidos para: “entrar, sair, transitar e permanecer no território da República Federativa do Brasil, sem intenção de estabelecer residência, para fins de turismo, negócios, trânsito, realização de atividades artísticas ou desportivas ou em situações excepcionais por interesse nacional; e estada pelo prazo de até noventa dias, prorrogável por igual período, desde que não ultrapasse cento e oitenta dias, a cada doze meses, contado a partir da data da primeira entrada no País”.

O decreto é unilateral – ou seja, o Brasil permite a entrada de americanos, canadenses, australianos e japoneses sem a necessidade de uma autorização individual prévia, mas isso não altera os requisitos para a entrada de brasileiros nestes países. O documento foi assinado pelo presidente Bolsonaro e pelos ministros da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Estimativas feitas pelo Ministério das Relações Exteriores em 2018 indicam que 3,08 milhões de brasileiros vivem no exterior. E um único país concentra quase metade desse número: os Estados Unidos, com 45,4% do total. Em seguida aparecem Paraguai, Japão, Reino Unido e Portugal. Mas a diferença é expressiva. O Paraguai, segundo colocado da lista, é a casa de 332 mil brasileiros, bem menos que os 1,4 milhão que residem nos EUA.

Segundo o Instituto Pew, de Washington, cerca de 130 mil brasileiros encontravam-se em situação irregular nos Estados Unidos em 2016. O número de brasileiros que ingressa nos Estados Unidos “caiu sensivelmente” de 2007 a 2017, diz o instituto, e a imigração irregular total nos EUA encontra-se no ponto mais baixo em 10 anos.

Outro número interessante a ser lembrado se refere às últimas eleições presidenciais do Brasil, pois Bolsonaro, mesmo tendo uma política liberal, levou o maior número de votos no segundo turno também no exterior. Nos EUA, 81,7% dos votos válidos foram para o atual presidente.

Mesmo Jair Bolsonaro sendo declaradamente admirador do presidente Trump e tendo políticas pareciads, 85% dos brasileiros que moram nos EUA afirmam que as políticas de Donald Trump não melhoraram a vida de quem mora nos EUA, e 79% dos entrevistados consideram a política de imigração o pior ponto do governo do republicano.

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