Por Marcia de Souza

As geleiras, consideradas o termômetro das oscilações climáticas do planeta diminuíram de forma dramática nos últimos 50 anos. Segundo o painel intergovernamental de mudanças climáticas, órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2010, apenas na Antártica, a temperatura subiu 2,50 C° e todos os anos a região parte até 12 mil quilômetros quadrados de gelo.

Desde os anos 60 quando se começou a monitorar o clima por satélite, foi possível registrar uma redução de 10% da camada de gelo que cobre a Terra. Os reflexos disso são notados em vários cantos do planeta. A primavera começa mais cedo e o outono dura mais tempo, além dos picos de temperaturas que estão mais cruéis, seja nos recordes gélidos no inverno ou nas explosões de calor, cada vez mais frequentes.

O clima mundial está sofrendo uma espécie de inversão e a cada ano que passa locais considerados quentes estão esfriando mais e mais enquanto locais frios estão permanecendo por mais tempo com temperaturas positivas. Os meteorologistas afirmam que as mudanças na temperatura e no regime de chuvas, assim como as variações nas temperaturas e no nível do mar, devem se estender por vários séculos.

Em um verão europeu de 2003 que ficou marcante as temperaturas bateram recordes de calor. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 20 mil morreram vítimas da onda de calor nesse respectivo ano e entre 2000 e 2003 o aquecimento da terra provocou a morte de aproximadamente 150 mil pessoas em todo o mundo. No Brasil, desde 2000 vemos, por exemplo, chuvas prolongadas em pleno verão e que resulta em milhares de desabrigados e prejuízos de centenas de milhões de dólares.

Esses tipos de situações são decorrentes desse desequilíbrio no clima do planeta em que vivemos. O ser humano mudou a composição química da atmosfera e nos últimos 150 anos, ocorreu um aumento de 30% na concentração de gás carbônico, sendo que o metabolismo da terra absorve a metade, segundo fontes da Fundação Brasil para o Desenvolvimento Sustentável. Os cientistas estimam que a temperatura média do planeta deva aumentar em torno de 4,5 C° a cada década e que o nível do mar suba entre 70 e 80 centímetros por ano, por causa do degelo das calotas polares e do movimento natural de dilatação das águas.

Quando os raios solares incidem sobre a Terra, o calor é absorvido pela atmosfera e pela água dos oceanos para ser emitidos de volta ao espaço na forma de radiação. A emissão de gases poluentes, em particular o dióxido de carbono (CO²) eliminado pelas chaminés dos carros e também por conta das atividades humanas como o desmatamento das florestas, elevou a concentração de poluentes.

Tudo isso agrava ainda mais o chamado efeito estufa, que funciona como um manto que cobre a atmosfera terrestre e altera o fluxo de radiação lançado de volta ao espaço. A partir de 1861 os cientistas começaram a medir a temperatura no planeta e se notou aumentos consideráveis a partir de 1990. A expectativa dos meteorologistas é de continuas mudanças e novos recordes de temperatura o que deixa preocupados os cientistas e a própria humanidade do planeta terra.

Como consequência desse desequilíbrio, a vida animal não encontra escapatória. Pesquisas do Fundo Mundial da Natureza (WWF) indicam que Canadá, Rússia e países da Escandinávia podem perder mais de dois terços de seus habitats naturais. A situação poderia ser ainda mais assustadora se os países não tivessem posto em pratica o acordo de redução de poluentes seladas no protocolo de Kyoto, acordo internacional que visa reduzir o efeito poluente dos gases tóxicos resultantes das atividades humanas.

* Marcia de Souza é uma amante de livros, viveu em Los Angeles e Moscou, e voltou a residir em sua cidade natal, Recife, onde trabalha como secretária executiva de uma empresa multinacional de energia alternativa com base na Espanha.

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