Os alimentos orgânicos saíram das prateleiras de lojas seletivas para ficar disponíveis na maioria dos supermercados. O que transformou essa jornada? São os benefícios genuínos dos produtos orgânicos ou a política do supermercado para agradar aos mais variados públicos? Ou essa mudança surgiu da exigência dos consumidores?

Ou ainda, as pessoas, cada vez mais conscientes da saúde, em sua ânsia de encontrar uma alternativa mais saudável, supervalorizaram os benefícios dos alimentos orgânicos transformando este nicho do mercado? Neste artigo, vamos olhar o fenômeno de diferentes perspectivas.

O que é comida orgânica?

Para medir com precisão os méritos dos alimentos orgânicos, é importante entender o que a palavra “orgânico” significa. “Orgânico” é a palavra que é usada para descrever produtos que foram cultivados usando certas práticas agrícolas.

O padrão e as condições que devem ser cumpridas antes de comercializar um produto rotulado como orgânico são definidos por diferentes autoridades em todo o mundo. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) tem um programa de certificação que exige que os produtos atendam a padrões rígidos antes que possam ser rotulados e comercializados como orgânicos.

Mas quais são os benefícios desses alimentos? A comida orgânica é melhor para a saúde?

Uma característica dos produtos orgânicos que é potencialmente importante para os consumidores é a proibição do uso de qualquer pesticida artificial em seu cultivo. No entanto, o uso de pesticidas e fungicidas naturais é permitido.

Algumas pessoas se revoltam quando se dão conta que a maçã “saudável” que comem frequentemente na verdade é quase um produto químico artificial que pode ser perigoso para a saúde. A partir dessa constatação, elas mudam de hábitos e passam a optar por maçãs orgânicas.

Agora surge a pergunta: a maçã orgânica está livre de resíduos de pesticidas? Além disso, os resíduos da maçã convencional são prejudiciais se estiverem abaixo dos limites máximos estabelecidos pelas autoridades reguladoras?

Mesmo que não seja, algumas pessoas ainda podem preferir o produto orgânico por causa do equívoco de que algo “natural” é mais seguro. Isto não é necessariamente verdade, pois a ingestão de resíduos “naturais” de pesticidas também pode ter consequências negativas em nosso corpo.

Alguns dos pesticidas naturais também têm um impacto negativo maior sobre o meio ambiente do que sua versão artificial. Outro ponto que precisa ser levado em consideração é que um agricultor pode ter que usar vários pesticidas naturais diferentes para ter o mesmo efeito de um único pesticida artificial.

Diante desse fato, isso significa que a agricultura orgânica é uma farsa?

Não. A ideia básica por trás da agricultura orgânica é nova. No entanto, só porque um produto é rotulado como orgânico, não significa necessariamente que é melhor. Os benefícios dependerão do agricultor. Um fazendeiro pode ter tentado métodos alternativos eficazes para controlar pragas e o produto pode, na verdade, ser melhor em termos de resíduos prejudiciais.

O que os estudos mostraram?

Alguns estudos demonstraram que os alimentos orgânicos, de fato, possuem menores resíduos de pesticidas. No entanto, os níveis de resíduos em produtos orgânicos e convencionais foram inferiores ao limite máximo permitido pelas autoridades. Contudo, os possíveis benefícios para a saúde ao se ingerir produtos com níveis ainda mais baixos de resíduos na produção orgânica são desconhecidos e não verificados.

O perfil nutricional dos alimentos orgânicos

E o perfil nutricional dos alimentos orgânicos? Eles oferecem algum nutriente extra? Os estudos estão divididos sobre isso, alguns mostraram que sim, outros não chegaram à mesma conclusão. No entanto, a diferença na maioria dos nutrientes em geral foi apenas ínfima. Portanto, mesmo se forem levemente mais nutritivos, o impacto positivo desses nutrientes presentes nos alimentos orgânicos será pequeno.

Outro equívoco que algumas pessoas cometem é pensar que os produtos orgânicos não contêm micróbios nocivos. Isso não é verdade. Os produtos cultivados organicamente têm a mesma porcentagem de contaminação que os produtos convencionais. De fato, alguns estudos mostraram que há um risco adicional de contaminação em produtos orgânicos. Portanto, não seja descuidado ao manusear produtos orgânicos. Use o mesmo cuidado que você usaria para o produto convencional.

Os prós e contras sobre a alimentação orgânica

Os Prós:

  • Muitos nutricionistas, um famoso, Ellie Krieger, da Food Network, recomendam produtos orgânicos.
  • Muitas pessoas pertencem a cooperativas orgânicas especiais que são administradas por fazendeiros e empregam moradores locais ajudando a comunidade. Este tipo de negócio está se espalhando e ganhando popularidade.
  • Cada vez mais, grandes supermercados estão começando a oferecer seções de produtos orgânicos em suas prateleiras.
  • E, se você já mordeu alguma fruta ou legume não lavado/higienizado, já notou que o gosto amargo que vem à boca é diferente de quando o alimento é previamente lavado, ou seja, esses pesticidas fazem diferença no paladar.
  • Muitos especialistas e consumidores estão convencidos de que o orgânico é simplesmente melhor para a saúde.

Contras

  • Considerando a questão por diferentes ângulos, a conclusão é que não há provas suficientes para afirmar com confiança que o orgânico é melhor que o comum.
  • Também custa mais caro.
  • Precisamos de melhores métodos de cultivo, mas a agricultura orgânica não é a solução ideal, e a agricultura convencional não é verdadeiramente tão ruim ou maléfica quanto é retratada.

Conclusão

Um método que tira o melhor dos dois mundos para maximizar o rendimento sem o uso de substâncias possivelmente perigosas, artificiais ou naturais, é o que é necessário para a população. No final das contas, o indivíduo deve escolher e seguir o que acredita ser certo para si e sua família.

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