Por Fabienne Lopez

Nada mais banal salientar que a relação de uma mãe com seu filho constitui uma das bases mais importantes para o desenvolvimento da criança, tanto físico, quanto emocional. A criança irá carregar, quando adulta, as marcas desse relacionamento, num processo conhecido como introjeção aonde a pessoa apossa-se inconscientemente das características desse relacionamento, trazendo-o para dentro dela.

Todos nós temos duas mães, uma de carne e osso, externa, a outra, emocional, interna. A segunda nascida da primeira. O que significa esta afirmação meio que bombástica? Calma que eu explico. Quero simplesmente dizer que a forma como suprimos nossas necessidades emocionais tem sua origem na maneira como fomos “alimentados” por nossas mães quando crianças.

Conseqüentemente, ela irá criar uma “mãe interna” baseada nas mensagens aprendidas na infância que, paralelamente, servirá de estrutura à vida emocional. Portanto, esta “mãe interna” seria um barômetro de nossa auto-estima, uma medida de quanto uma pessoa vive integralmente sua personalidade ou transfere a responsabilidade de suas carências às outras pessoas.

Caso o convívio com a figura materna tenha sido positivo, a pessoa saberá preencher suas necessidades emocionais, de maneira saudável, madura e responsável. No entanto, se houver um descompasso entre as necessidades emocionais e o tipo de atenção recebida, o adulto passará grande parte da sua vida, tentando preencher, externamente, os aspectos do relacionamento que não foram vividos de maneira harmônica e satisfatória.

A tendência é buscar nos outros a compensação pelas necessidades não atendidas internamente. Daí se originam relacionamentos de dependência, neuroses, mágoas e ressentimentos, que se repetem no mesmo tipo de situação, com o mesmo tipo de pessoa e com os mesmos resultados de sempre, ainda que, a cada vez, juramos que, na próxima, o resultado será diferente.

É justamente neste contexto que a astrologia pode ajudar de três maneiras:

• Traçando o retrato do modelo emocional da pessoa, sua sensibilidade e receptividade e a maneira como ela se relaciona com o feminino interno e externo;

• Descrevendo a forma como a mãe desenvolveu sua função junto ao filho, que tipo de infância e ambiente emocional cercaram a formação da pessoa e quais os prováveis resultados desta referência na vida de dela;

• Ajudando o indivíduo a desenvolver as qualidades expressas pelo seu signo lunar. Na vida real, é extremamente difícil encontrar uma mãe que exerça somente a função de “Mãe Perfeita”, protetora, nutridora, gestora de vida. Da mesma forma, é raro uma mulher identificar-se unicamente com o papel da “Mãe Terrível”, controladora, autoritária, repressiva e castradora. Em verdade, os lados se alternam, mesmo que haja sempre a predominância de um dos dois.

Desenvolver nossa autoestima e suprir nossas necessidades emocionais é um processo longo, que perdura muitas vezes pela vida inteira, pois, da mesma forma que a relação mãe e filho foi construída ao longo da infância, a relação com nossa “mãe interna” precisa ser construída, ao longo da nossa vida adulta. Como primeiro passo, gostaria de sugerir o seguinte exercício: com dez palavras ou frases curtas, descreva sua mãe da maneira como você a via quando criança. Relembre o que era importante para ela, como ela expressava suas emoções, como ela manifestava afetividade, ou como ela demonstrava fisicamente seu carinho. Pense na maneira como ela lidava com as dificuldades da vida. Visualize alguma característica marcante dela, algum traço de personalidade.

Após ter completado a lista, reflita sobre os adjetivos que você escreveu e assinale com qual deles você se identifica, não importa se você gosta, odeia ou é indiferente a eles. Mas somente se você se percebe neles. Reflita, em seguida, sobre os adjetivos escolhidos e pergunte-se quais deles, entre as opções escolhidas, você gostaria de desenvolver, quais você gostaria de livrar-se e quais você gostaria de modificar – guardando a expressão positiva da qualidade, mas descartando o lado negativo. Para terminar, no “Dia das Mães”, aproveite para homenagear também a sua mãe interna.

 

* Fabienne Lopez é uma astróloga brasileira que reside a vários anos na área da baia de São Francisco. Ela foi uma colaboradora frequente da Soul Brasil magazine durante dois anos, entre os anos de 2005 e 2006 – Fabienne_at_astro-brasil.com

Facebook Comments

Share This