Por Lindenberg Junior

O hábito alimentar acompanha a própria história de cada nação. A culinária é parte importante na cultura de um povo e está presente em toda uma “evolução” ocorrida ao longo dos tempos. Alguns livros de história tentam nos passar ou ensinar que a humanidade vive uma constante evolução cronológica, mas na realidade não é bem assim.

O certo é que as ocupações feitas por países que colonizaram outras nações acarretaram em mudanças gradativas na maneira de comer, tanto dos povos conquistados, como também dos conquistadores. Dos povos antigos, os romanos, sem dúvidas, foram os que mais tiraram proveito de suas conquistas.

Da Grécia eles assimilaram, além da filosofia e mitologia, a arte do vinho e o uso do azeite de oliva (foram os gregos os primeiros a utilizarem como tempero). Embora os romanos tenham propagado quase tudo que sabiam ao longo de suas conquistas, foram os árabes os maiores responsáveis pela difusão do azeite em toda península ibérica. O casamento entre reis e rainhas de países diferentes também influenciaram a maneira de comer de alguns povos, como foi o caso de Catarina de Médici, que mudou completamente o hábito alimentar dos franceses.

Historiadores contam que antes de sua chegada, trazendo todo seu aparato culinário e cozinheiros de sua confiança, a mesa francesa no geral ainda era semibárbara. Comia-se como na era medieval. Teria ela, então, levado os segredos que deram início à fantástica cozinha francesa. Marco Polo teria trazido da China inúmeras novidades, inclusive o macarrão, mas existem controvérsias. Como podemos perceber, à medida que os povos se transformam, transforma-se também o seu hábito alimentar.

Quanto ao Brasil, por ser um país com dimensões de continente, o que vemos são várias cozinhas chamadas típicas. Isso se deve ao fato que cada região sofreu uma maneira diferente de colonização, fazendo com que as cozinhas se diferenciem entre si.

A culinária mineira surgiu na época da descoberta do ouro. A necessidade de alimentar os tropeiros que transportavam ouro em lombos de burros a caminho do Rio de Janeiro e que se tornara o escoadouro para Lisboa, fez com que surgisse uma cozinha pesada e substanciosa que suprisse as necessidades de homens tão rudes. Com a diminuição do ouro de superfície e o confisco das minas pela coroa Portuguesa, os aventureiros que não conseguiram (ou não quiseram) deixar o local, iniciaram pequenas lavouras e criações de animais domésticos, como porcos e galinhas. Começaria então uma nova cozinha com base na produção da terra.

Já a culinária baiana sofreria enorme influência africana tornando-se uma das mais conceituadas do Brasil, resultado da mistura africana, indígena e portuguesa. A culinária da região centro-oeste, por sua vez, desenvolveu-se a partir da saída dos aventureiros que deixaram Minas Gerais para se embrenharem pelo interior do país à procura de riquezas. Levaram consigo seus hábitos alimentares, mas foram obrigados a assimilar parte da cultura dos índios da região e assim descobrir o que a natureza lhes oferecia em termos de sobrevivência.

Já a culinária gaúcha da região sul, a mais fria do Brasil, recebeu influência dos hábitos de imigrantes Italianos e alemães, que junto com o clima e a cultura da região dos pampas (excelente para a criação de gado) fez surgir o hoje internacionalmente conhecido churrasco, que atravessou fronteiras e ganhou o mundo. E assim sucessivamente, a história não para, e a culinária acompanha, pois ela é a própria história.

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