Por Luis Oliveira Cruz (Mestre Bola Sete)

Será que a capoeira está perdendo suas origens? Atualmente, temos uma nova geração e uma nova capoeira regional, chamada por uns de “moderna”, e que tem como características principais uma ginga contraída e fixa, sem a atualização do floreio, com a velocidade excessiva na execução dos seus movimentos e apurado nível técnico nos poucos golpes aplicados de forma repetitiva (meias luas e rabos de arraia).

Sem muita preocupação com a parte defensiva, além dos saltos mirabolantes, tomados de empréstimo da ginástica acrobática, executados com extrema velocidade, exigindo que o praticante seja um excelente atleta. Somando-se a tudo isso, nota-se a ausência completa dos antigos rituais e preceitos da capoeira tradicional, bateria acelerada e sem critério definido, cânticos totalmente descaracterizados e, em determinados grupos, o que é mais preocupante, a permissão do uso de golpes originários de outras lutas.

Isso vem descaracterizando cada vez mais a nossa arte e muitos que estão começando agora não conhecem as suas origens e raízes. Temos observado, também na capoeira angola, uma evolução constante, o que culminou com o nascimento, na década de 80, de um estilo novo e contemporâneo, bonito e eficiente, e que vem tendo uma grande aceitação entre os mais jovens. Ela se baseia no jogo do Mestre João Grande de Nova York e tem como maior representante, no Brasil, o Mestre Moraes, aluno de João Grande. Além das outras características tradicionais, apresenta uma ginga descontraída e solta, embora com ritmo e floreio semelhantes entre si.

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